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Pínus: demanda por toras finas movimenta o mercado

Oferta menor e chuva mudam cenário no Rio Grande do Sul


Foto: Pixabay

O mercado de madeira no Rio Grande do Sul apresenta cenários distintos entre acácia-negra, eucalipto e pínus, com demanda aquecida em alguns segmentos, mas dificuldades de colheita provocadas pelas chuvas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (24), acesso às áreas, disponibilidade de matéria-prima, mão de obra e custos de operação estão entre os principais fatores que influenciam a atividade florestal.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Lajeado, principalmente nos municípios de Brochier, Maratá e Poço das Antas, a produção de carvão de acácia-negra permanece estável nos aspectos produtivo e comercial. Os plantios apresentam diferentes idades, indicando continuidade da atividade.

A comercialização do carvão está aquecida, com boa procura pela indústria local. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, os preços também subiram devido ao aumento da demanda durante a Semana Farroupilha.

Apesar do mercado favorável, a retirada da madeira está limitada pelas condições de acesso provocadas pelas chuvas. A menor oferta de matéria-prima, somada à redução do fluxo de comercialização de alguns compradores e transportadores, tem dificultado o abastecimento dos fornos.

Outro fator que reduz a disponibilidade é a menor oferta de madeira proveniente de outras regiões do Estado, onde áreas florestais vêm sendo convertidas para a produção agrícola.

Na região de Caxias do Sul, os plantios de acácia-negra estão concentrados na Região das Hortênsias e têm importância econômica e social para propriedades familiares. A atividade funciona como complemento de renda e alternativa para ocupação das áreas.

A escassez de mão de obra, relacionada à sucessão familiar, limita a atividade. Por outro lado, o relevo acidentado favorece a manutenção dos plantios.

Parte das operações, especialmente corte e empilhamento, é realizada de forma terceirizada. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, esses serviços representam cerca de 60% dos custos, reduzindo a rentabilidade das pequenas propriedades.

Cerca de 90% da madeira de acácia-negra é destinada à geração de energia, incluindo uso doméstico, industrial e produção de carvão. O restante é utilizado como escoras na construção civil.

A lenha também representa uma importante fonte de renda e reserva financeira para os agricultores familiares. No período, o mercado permaneceu aquecido pelas condições de frio e umidade.

Entre as atividades realizadas estão tratos culturais, controle de formigas, corte e colheita. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, as áreas apresentam boas condições fitossanitárias.

No mercado de eucalipto, a demanda por matéria-prima está estável na região de Caxias do Sul. A espécie continua entre as principais opções para novos plantios devido à diversidade de usos da madeira.

O eucalipto pode ser destinado à produção de lenha, varas, palanques, postes, toras, madeira serrada, construção civil e carvão. Mesmo com essa diversidade, a implantação de novas áreas e o manejo da brotação permanecem abaixo do esperado.

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, esse cenário pode resultar em menor disponibilidade de madeira nos próximos anos.

Durante o período, foram realizados tratos culturais, controle de formigas, manejo, corte, empilhamento e comercialização de toras e subprodutos, principalmente lenha.

Os preços variam de acordo com a localização dos plantios, a dificuldade de extração e o diâmetro da madeira. A comercialização ocorre nos mercados local, regional e estadual.

As áreas de eucalipto apresentam diferentes fases de desenvolvimento e, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, mantêm boas condições fitossanitárias.

Em Lajeado, a produção de carvão de eucalipto permanece estável, principalmente em Brochier, Maratá e Poço das Antas. Os povoamentos de diferentes idades indicam continuidade da produção.

O mercado apresentou boa demanda no período, com aumento dos preços do carvão impulsionado pela maior procura durante a Semana Farroupilha.

As dificuldades de acesso para retirada da madeira estão entre os principais entraves. A menor disponibilidade de matéria-prima também é agravada pela redução do ritmo de compra e transporte por parte de alguns agentes do mercado.

A redução da oferta de madeira de outras regiões do Estado, onde áreas de silvicultura estão sendo convertidas para a produção de grãos, também pode aumentar as dificuldades de abastecimento.

Na região de Passo Fundo, a colheita florestal de eucalipto é prejudicada pelas chuvas, que impedem o acesso às áreas, além das condições precárias das estradas.

Em Pelotas, os preços pagos ao produtor apresentam ampla variação. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a diferença está relacionada principalmente às condições de trafegabilidade das estradas rurais internas e às dimensões dos maciços florestais.

Esses fatores condicionam a viabilidade operacional das atividades de colheita e baldeio mecanizados.

No caso do pínus, os Campos de Cima da Serra, na região administrativa de Caxias do Sul, concentram uma parcela importante da cadeia produtiva florestal.

As toras são utilizadas na produção de chapas, compensados, aglomerados, laminados, móveis, pallets, forros e assoalhos, além de aplicações na construção civil.

O mercado apresenta boa demanda, especialmente para toras de menores diâmetros. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, os preços desse tipo de madeira registraram pequeno aumento.

Já as cotações das toras com diâmetro superior a 25 centímetros permanecem estáveis.

A expectativa de redução da tarifa sobre a madeira destinada ao mercado norte-americano pode favorecer as exportações e contribuir para a recuperação dos preços.

A procura por toras finas também tem estimulado a retomada do manejo dos plantios, principalmente operações de desrama e desbaste. Ainda assim, predominam áreas com manejo inadequado e desbastes atrasados.

Parte das áreas submetidas ao corte raso não está sendo replantada com pínus, mas substituída por outras culturas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, estima-se que apenas cerca de 50% dessas áreas sejam novamente implantadas com a espécie.

A legislação restritiva continua sendo um limitante para a implantação de novos plantios e para a comercialização de madeira proveniente de áreas não licenciadas.

No período, foram realizados controle de formigas, tratos culturais, manejo, colheita e comercialização. As condições fitossanitárias dos plantios são consideradas adequadas.

Em Passo Fundo, assim como ocorre com outras atividades de colheita florestal, as chuvas têm dificultado o acesso às áreas de pínus. As condições precárias das estradas também prejudicam as operações.

O cenário apresentado pela Emater/RS-Ascar mostra que o mercado florestal gaúcho combina demanda aquecida e valorização de alguns produtos com obstáculos relacionados à logística, à disponibilidade de matéria-prima, à mão de obra e às condições de acesso às áreas de produção.

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