Mercado orienta novos investimentos na produção de noz-pecã
Preços, comercialização e expansão da cultura estarão em debate no ENAPecan
Foto: Brasil P30/Divulgação
A busca por referências de mercado para orientar novos investimentos na pecanicultura estará entre os principais temas do III Encontro Nacional da Pecanicultura (ENAPecan) 2026. O evento, marcado para os dias 12 e 13 de novembro, em Bento Gonçalves (RS), vai discutir preços, volumes comercializados, comportamento das safras e movimentação da noz-pecã nos mercados interno e externo.
A proposta é aproximar produtores de informações que permitam uma leitura mais ampla da cadeia antes da tomada de decisões. Para o presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), Claiton Wallauer, acompanhar preços e volumes negociados ajuda a estabelecer referências para os próximos investimentos.
“O preço hoje não quer dizer que seja o preço do dia amanhã, mas ele te dá um direcionamento para tu reforçar os teus investimentos, para você conseguir ter uma previsibilidade de investimento”, afirma Wallauer.
A discussão ganha relevância em um cenário no qual a noz-pecã também vem sendo utilizada como alternativa de diversificação das propriedades rurais. Em Santa Catarina, por exemplo, a produção está presente em mais de 60 municípios e concentrada, em sua maioria, em pequenas propriedades.
Segundo o engenheiro-agrônomo e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Luiz Antônio Palladini, há interesse crescente dos agricultores pela cultura.
“Em Santa Catarina, nós temos um grande interesse dos produtores em utilizar a nogueira-pecã como uma diversificação de suas propriedades”, afirma.
Palladini relaciona essa procura ao crescimento da comercialização da noz-pecã em diferentes canais de distribuição e às possibilidades de consumo do produto, tanto in natura quanto na culinária. Esse movimento, segundo o pesquisador, tem levado mais agricultores a buscar informações sobre a atividade.
Além da análise do mercado, a programação do ENAPecan vai apresentar um panorama da produção nos três estados do Sul. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estarão no centro de um dos painéis técnicos previstos para a manhã do evento, que terá Palladini como moderador.
Já Wallauer será responsável por mediar o painel dedicado à comercialização. A discussão deverá abordar não apenas os preços praticados, mas também a relação entre safras, volumes negociados, mercado doméstico e exportações.
O objetivo, de acordo com o presidente do IBPecan, é permitir que os participantes tenham contato com profissionais que acompanham a movimentação desses mercados e possam compreender melhor o momento atual da cadeia e suas perspectivas.
Com o tema “Produção eficiente, mercado e agregação de valor à noz-pecã”, o III ENAPecan terá cinco eixos técnicos, rodada de negócios, atividades de integração e uma tarde de campo na propriedade da família Pecantelli.
O encontro será realizado na Fundação Casa das Artes, em Bento Gonçalves. A promoção é do Instituto Brasileiro de Pecanicultura, Embrapa, Emater e Prefeitura de Bento Gonçalves, com correalização da Pecantelli, IFRS Campus Bento Gonçalves e Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, por meio do Programa Estadual de Pecanicultura, o Pró-Pecã. Sebrae e Senac apoiam a realização.