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Vírus do mosaico necrótico do arroz é identificado pela primeira vez na Argentina

Vírus do arroz é confirmado fora da Ásia


Foto: Pixabay

Uma equipe internacional de pesquisadores identificou, pela primeira vez na Argentina, o vírus do mosaico necrótico do arroz (RNMV), anteriormente registrado apenas na Ásia. O estudo contou com especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas e da Universidade Nacional do Nordeste, além de centros de pesquisa franceses. A detecção foi confirmada por técnicas metagenômicas e sequenciamento de alta precisão em amostras coletadas na província de Corrientes, ampliando o conhecimento sobre a sanidade da cultura do arroz. A informação foi divulgada pelo Governo da Argentina.

A pesquisa teve como base a análise de plantas de arroz (Oryza sativa) com sintomas compatíveis com infecções virais, coletadas em 2018 em Berón de Astrada. De acordo com o estudo, “os pesquisadores detectaram a presença do vírus do mosaico do arroz (RNMV) em apenas uma das amostras analisadas”.

Os pesquisadores destacam que, no campo, diferentes doenças virais do arroz podem apresentar sintomas semelhantes, como amarelecimento, mosaicos e enfraquecimento das plantas, o que dificulta a identificação precisa sem o uso de ferramentas laboratoriais.

Para validar os resultados, foram empregadas técnicas moleculares como RT-PCR e sequenciamento de RNA com uso de plataformas de alto rendimento. Segundo o estudo, “essas ferramentas não apenas confirmaram a infecção da amostra analisada, mas também permitiram a reconstrução do genoma de um isolado viral local”.

As análises indicaram alta similaridade genética entre o isolado identificado e variantes do RNMV previamente descritas no Japão. Os estudos filogenéticos confirmaram tratar-se do mesmo vírus, marcando o primeiro registro fora da Ásia. “A possibilidade de obter a sequência genômica do isolado nos permitiu confirmar com precisão a identidade do vírus, o que é fundamental para interpretar corretamente os sintomas observados na cultura e evitar confusão com outras doenças”, afirmou Florencia Brugo, pesquisadora do Instituto de Fitopatologia do INTA.

O RNMV pertence a um grupo de vírus transmitidos pelo fungo do solo Polymyxa graminis, capaz de permanecer por longos períodos nas áreas de cultivo, o que dificulta o controle da doença e reforça a importância da detecção precoce.

Até então, apenas três vírus que afetam o arroz haviam sido registrados na América do Sul. A identificação do RNMV amplia o número de agentes monitorados e reforça a necessidade de vigilância na cultura.

“A inclusão desse vírus no cenário regional exige o fortalecimento das estratégias de monitoramento e diagnóstico, especialmente nas áreas de cultivo de arroz”, destacou Brugo, acrescentando que o resultado se baseia em uma única amostra positiva.

O estudo também identificou pequenos RNAs virais (siRNAs), associados aos mecanismos de defesa da planta. Segundo os pesquisadores, “o estudo desses pequenos RNAs nos permite observar como a planta responde ao ataque viral, o que pode ser útil para o desenvolvimento de estratégias de manejo ou melhoramento”.

Como se trata do primeiro registro, os pesquisadores indicam a necessidade de ampliar o monitoramento para avaliar a presença e o comportamento do vírus no país. “A vigilância baseada em tecnologias genômicas é fundamental para antecipar o surgimento de novas doenças e reduzir os riscos na produção agrícola”, concluiu Brugo.

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