Chuvas atrasam transplantio da cebola em Santa Catarina
Chuvas e granizo atrasam safra de cebola em SC, com risco de perdas nas lavouras
Foto: Pixabay
Tempestades com chuva intensa, rajadas de vento e possibilidade de granizo avançam sobre Santa Catarina entre esta sexta-feira (7) e sábado (8), segundo o Meteored. O cenário preocupa produtores durante a implantação da cebola, especialmente nas regiões de Ituporanga, Rio do Sul e Alfredo Wagner, e pode interromper o transplantio, as pulverizações e o trânsito de máquinas.
A safra catarinense de cebola está projetada em 17.382 hectares, com produção estimada em 576.395 toneladas. Além da hortaliça, trigo e outras culturas de inverno também podem ter os trabalhos de campo interrompidos pela mudança no tempo.
O principal risco neste momento não é uma perda já confirmada, mas a redução da janela operacional. Chuvas fortes em períodos curtos podem elevar rapidamente a umidade do solo, impedir a entrada de tratores e suspender operações como transplantio, adubação e pulverização.
No Paraná, núcleos localizados podem acumular entre 150 e 200 milímetros de chuva até segunda-feira (10). Em Santa Catarina, porém, a distribuição dos volumes tende a ser irregular, o que exige acompanhamento das condições de cada município e talhão.
Levantamento da Epagri divulgado em julho apontava que 55% da área catarinense destinada à cebola já havia sido implantada. O percentual pode ter avançado desde então e não representa necessariamente a situação desta sexta-feira (7), mas mostra que a frente fria encontra viveiros, mudas recém-transplantadas e áreas ainda em preparação.
Ituporanga concentra a maior área projetada, com 8.058 hectares. Rio do Sul aparece na sequência, com 1.632 hectares, enquanto Tabuleiro tem 3.256 hectares previstos para o cultivo.
A entrada de máquinas em solo sem suporte adequado pode provocar compactação, formação de sulcos e prejuízos ao desenvolvimento das raízes. No caso de mudas recém-transplantadas, o excesso de água reduz a aeração do solo e pode atrasar o pegamento, principalmente em baixadas e áreas com drenagem mais lenta.
Rajadas e granizo também representam risco de danos físicos às folhas. No entanto, a necessidade de replantio e a extensão de eventuais perdas somente poderão ser avaliadas após inspeções nas áreas atingidas, incluindo propriedades de Ituporanga, Aurora e Alfredo Wagner.
O cenário também é desigual dentro da própria região. Os acumulados de 150 a 200 milímetros previstos correspondem a núcleos do Paraná e não abrangem todo o território catarinense. Mesmo assim, uma chuva concentrada entre sexta-feira e sábado pode saturar áreas de Ituporanga, Rio do Sul e Alfredo Wagner sem que os volumes sejam uniformes.
Por isso, as condições locais devem pesar na retomada das operações. A previsão horária, a capacidade de drenagem e a situação das estradas rurais precisam ser avaliadas antes da entrada de máquinas nos talhões.
A interrupção dos trabalhos ocorre em um cenário de redução da área cultivada. A projeção para a cebola em Santa Catarina é 9,1% menor que os 19.120 hectares registrados na safra anterior.
Ao mesmo tempo, a produtividade estimada avançou 0,6%, para 33.160 quilos por hectare. O resultado, porém, depende de uma implantação uniforme e da realização do manejo dentro do período adequado.
No mercado, a cebola foi negociada no atacado a R$ 4,26 por quilo em junho, segundo os dados apresentados no material. O preço representou alta de 10% em relação ao mês anterior e avanço de 28% na comparação anual.
Após o período de maior intensidade entre sexta-feira e sábado, a chuva mais persistente tende a se concentrar no Paraná até segunda-feira. Em Santa Catarina, isso não significa que as áreas produtoras estarão imediatamente aptas para receber máquinas.
Talhões e estradas de Ituporanga, Rio do Sul e Alfredo Wagner podem continuar úmidos mesmo depois da redução das pancadas. Antes de retomar as atividades, é necessário verificar sinais de afundamento, as condições de drenagem e a estabilidade dos canteiros.
As pulverizações também dependem de condições adequadas de vento e de um intervalo sem chuva compatível com o produto utilizado, sempre conforme as orientações de rótulo e bula. Já o transplantio e a adubação devem ser retomados somente quando houver suporte suficiente do solo para evitar compactação.
A desobstrução de canais de drenagem deve ser realizada apenas em condições seguras, sem exposição de trabalhadores a trovoadas.
Como a safra envolve 52 municípios, ante 56 no ciclo anterior, as decisões precisam considerar as condições de cada localidade. Eventual necessidade de replantio ou mudança no manejo deve ser definida após vistoria das áreas afetadas e com orientação agronômica.
A chuva, portanto, pode não representar uma perda imediata para toda a produção catarinense de cebola, mas tem potencial para interromper operações importantes justamente durante a implantação da lavoura. O acompanhamento das condições de solo, acesso e drenagem será determinante para definir quando as máquinas poderão voltar aos campos.