Epagri reúne citricultores para capacitação em Chapecó
Citricultores de Chapecó recebem atualização técnica em manejo e proteção de pomares
Foto: Helena Moraes/Epagri
A Epagri realizou no dia 27 de maio uma capacitação voltada para citricultores de Chapecó. A iniciativa é uma ação conjunta entre a Epagri e a Secretaria de Agricultura de Chapecó, que identificaram problemas de manejo nos pomares do município. A extensionista da Epagri, Elisa Maria Bosetti, explica que os profissionais têm percebido um declínio na produtividade, com plantas mais enfraquecidas. “Em nossas visitas temos observado a presença de pragas como pulgões, bicho furão, mosca da fruta, entre outros problemas que merecem atenção”.
Diante deste cenário, a programação articulou diversos temas relevantes, como o espaçamento de plantio, cuidados na escolha de mudas, dicas de manejo e controle de pragas e doenças, tecnologias de pulverização e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Além de Elisa, atuaram como instrutores os extensionistas Graciele Vieira, Ivan Tormem, Valter José Fedatto, os pesquisadores Eduardo Cesar Brugnara e Rafael Roveri Sabião, todos da Epagri, e os agentes da Cidasc Jader Alfredo Deobald e Diogo Antônio Deoti.
As regiões Oeste, Extremo-Oeste e Meio-Oeste concentram 80% da produção de laranja e 22,5% da produção de tangerina de Santa Catarina. O clima favorável, aliado à maior incidência de radiação solar ao longo do ano em comparação com outras áreas do Estado, torna o território especialmente propício para a citricultura, com frutos de qualidade e bons índices de produtividade.
O aumento do mercado consumidor também é um estímulo para os agricultores que já atuam ou desejam ingressar na citricultura. “Para incentivar ainda mais os nossos produtores, planejamos ações de longo prazo. Nos próximos anos, queremos promover atividades mais específicas, com foco em temas como adubação e controle de pragas e doenças, garantindo também respaldo técnico durante as visitas”, afirma Elisa.
Para impulsionar ainda mais o potencial da região, a Epagri vem desenvolvendo pesquisas que geram soluções e tecnologias voltadas às necessidades do campo. Deste modo, os participantes puderam conhecer o pomar experimental de tangerina ponkan, cultivada sobre porta-enxerto Flying Dragon, que reduz consideravelmente o tamanho das plantas. O experimento é conduzido pela Epagri desde 2014 e avalia o espaçamento ideal dos pomares desta combinação de variedades na região de Chapecó. O pesquisador Eduardo Cesar Brugnara revela que a escolha por trabalhar com plantas cítricas de porte reduzido se deve ao fato de que árvores convencionais atingem grande altura, o que dificulta a colheita, etapa que mais exige mão de obra. Com plantas menores, para aumentar a produtividade por hectare é preciso adensar o pomar, reduzindo o espaçamento entre as plantas.
Ao longo dos anos, os pesquisadores acompanharam o desenvolvimento de cada parcela experimental, registrando a quantidade de frutos produzidos em cada safra e avaliando características como tamanho, massa média e grau Brix, medida que indica a concentração de açúcares no suco da fruta. Para isso, utilizaram diferentes espaçamentos entre plantas, com 1m, 1,25m, 1,5m, 1,75m, 2m e 2,5m, mantendo 5m entrelinhas. Eles constataram que o espaçamento de 1m apresentou maior produtividade até o 11º ano do pomar, sendo o mais vantajoso, pois permite melhor aproveitamento da área. Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que seguem avaliando os resultados, para garantir maior segurança na definição do espaçamento ideal.
A pesquisa foi realizada com recursos provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Doenças como o greening (HLB), podridão floral dos citros (PFC), pinta preta e cancro cítrico geram preocupação nos citricultores catarinenses. Por isso, a capacitação contemplou um espaço dedicado ao tema, no qual o pesquisador da Epagri, Rafael Roveri Sabião, abordou questões relacionadas às doenças como pinta preta e podridão floral, oferecendo dicas de manejo e tirando dúvidas dos produtores. Ele apresentou avanços no manejo da PFC em Santa Catarina, como o acompanhamento de previsão climática para minimizar os efeitos nocivos do patógeno na frutificação dos cultivares, principalmente na limeira-ácida (Tahiti).
Já os agentes da Cidasc, Jader Alfredo Deobald e Diogo Antônio Deoti, apresentaram um panorama atualizado sobre a situação do greening em Santa Catarina. A doença, detectada no Estado em 2022, tem mobilizado as autoridades fitossanitárias devido ao seu potencial destrutivo. Transmitida pelo inseto psilídeo (Diaphorina citri) durante a alimentação, a bactéria afeta o floema, tecido responsável pela distribuição dos nutrientes produzidos na fotossíntese.
Segundo Jader, a doença foi detectada em plantas das regiões Oeste e Extremo-Oeste. “Fizemos 982 avaliações, das quais 78 deram positivo. Os casos detectados em Chapecó não ocorreram em pomares comerciais, mas sim, na área urbana, por isso é importante que a sociedade saiba reconhecer os sintomas do greening”.
Os principais sintomas incluem folhas amareladas e mosqueadas, maturação irregular e deformação dos frutos. Em caso de suspeita, a Cidasc deve ser imediatamente comunicada, para que seja realizada a inspeção fitossanitária.
Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc.