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Safra de inverno em SC pode ser afetada pelo El Niño

El Niño influencia estimativas da safra de inverno 2026/27


Foto: Divulgação

A Epagri/Cepa apresentou, na última sexta-feira (12), as estimativas iniciais da safra de inverno 2026/27 em Santa Catarina. Segundo informações do Observatório do Agro de Santa Catarina, o levantamento aponta redução na área de culturas como alho, cebola e trigo em um cenário de temperaturas amenas, alta umidade e chuvas frequentes, associado à atuação do El Niño.

A safra de inverno 2026/27 em Santa Catarina deve exigir atenção redobrada dos produtores diante da previsão de um inverno mais ameno e úmido. Segundo informações do Observatório do Agro de Santa Catarina, a Epagri/Cepa apresentou as estimativas iniciais da temporada com base em dados levantados por uma rede técnica que cobre todas as regiões do estado.

De acordo com o Observatório do Agro de Santa Catarina, o cenário climático previsto deve influenciar diretamente o desempenho das culturas de inverno, exigindo ajustes no manejo, especialmente nas olerícolas e nos grãos. Entre as olerícolas, alho e cebola tendem a ser os mais impactados. O excesso de chuva aumenta o risco de encharcamento do solo e de doenças bacterianas.

No alho, a umidade elevada pode comprometer a sanidade das lavouras, sobretudo em áreas com drenagem limitada. Na cebola, o tempo instável pode deixar o produto mais aquoso, desfavorecendo o armazenamento por longos períodos. A depender dos períodos de instabilidade, o transplantio das mudas e outras operações no campo também podem ser afetados, o que exige maior aproveitamento das janelas de tempo firme.

Entre os grãos de inverno, trigo, aveia e cevada também demandam atenção. No trigo, a maior frequência de chuvas eleva o risco de doenças e dificulta o manejo, principalmente em fases sensíveis do ciclo. A aveia-grão pode se beneficiar da umidade na fase inicial, desde que não haja encharcamento prolongado. Já a cevada, com cultivo mais restrito, exige cuidado com a drenagem e a sanidade das lavouras.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, Santa Catarina possui políticas públicas consolidadas para apoiar os produtores em momentos de eventos climáticos extremos. “Atuamos tanto na recuperação dos prejuízos, com programas como o Reconstrói SC, o Pronampe Agro SC Emergencial e o Recupera Maçã SC, quanto na prevenção, por meio de iniciativas como o Kit Solo Saudável e o Programa Cereais de Inverno. Nosso objetivo é promover mais segurança para que o produtor continue produzindo mesmo diante das adversidades climáticas”, destaca Dalla Cort.

O presidente da Epagri, Dirceu Leite, afirmou que a instituição está mobilizada para apoiar os agricultores catarinenses diante dos desafios que podem afetar as safras. Segundo ele, as equipes de pesquisa e extensão acompanham as condições de clima e solo, emitem orientações e alertas e reforçam práticas de conservação, como o plantio direto e o terraceamento. “Orientamos aos produtores a acompanharem os avisos e boletins da Epagri e a procurarem o escritório mais próximo do município. Com informação, planejamento e trabalho conjunto, vamos enfrentar mais este desafio climático e buscar uma boa safra para Santa Catarina”, recomenda Leite.

De acordo com a meteorologista da Epagri/Ciram, Marilene de Lima, o outono segue com períodos de frio pouco rigoroso. Para o inverno, a previsão é de temperaturas amenas, sem extremos, com risco de geadas mais concentrado em áreas altas do Meio-Oeste e do Planalto Sul, além de maior nebulosidade e chuvas frequentes.

Diante desse cenário, a orientação é acompanhar diariamente as atualizações da previsão do tempo e adequar o manejo das lavouras, reduzindo riscos produtivos e operacionais ao longo da safra de inverno.

Segundo informações do Observatório do Agro de Santa Catarina, com base nas estimativas divulgadas pela Epagri/Cepa, a previsão para o alho indica queda de 13% na área plantada, de 747 para 647 hectares. A produção deve recuar 17%, passando de 8,8 mil para 7,3 mil toneladas. A região de Curitibanos segue como principal polo produtor, com mais da metade da área cultivada no estado. Fraiburgo e Frei Rogério concentram 52% da área total.

Na cebola, segundo informações do Observatório do Agro de Santa Catarina, os preços abaixo do custo de produção no início de 2026 levaram os produtores a reduzir a área plantada em 9%, para 17,4 mil hectares. Mesmo com ganho estimado de 1% na produtividade, a produção total deve cair 9%, para 576,4 mil toneladas. A principal região produtora segue sendo Ituporanga, que concentra 46% da área cultivada, com destaque também para Alfredo Wagner entre os municípios com maior área.

Para o trigo, de acordo com o Observatório do Agro de Santa Catarina, as estimativas iniciais divulgadas pela Epagri/Cepa apontam retração de cerca de 27% na área plantada, que deve cair de 104,5 mil para aproximadamente 76,2 mil hectares. A produtividade média deve recuar 2,8%, resultando em uma produção estimada em 271 mil toneladas, volume 29% menor que o da safra anterior.

Na aveia-grão, segundo informações do Observatório do Agro de Santa Catarina, a produção está estimada em cerca de 60 mil toneladas, crescimento de 12,8% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada deve se aproximar de 37 mil hectares, alta de 12,3%, impulsionada principalmente pela incorporação de novas áreas no acompanhamento, com destaque para municípios do Planalto Sul catarinense.

A cevada deve ocupar 500 hectares no estado, segundo informações do Observatório do Agro de Santa Catarina, avanço de 13,6% em relação ao ciclo anterior. A produção prevista é de cerca de 2 mil toneladas, alta de 3,8%, mantendo a cultura como uma alternativa ainda pontual para os produtores catarinenses.

O levantamento da produção agropecuária em Santa Catarina é realizado por assistentes de pesquisa que coletam dados junto a informantes nas regiões mais relevantes em produção no estado. Entre esses informantes estão extensionistas da Epagri, cooperativas, prefeituras, sindicatos, bancos e outras instituições que atuam no meio rural.

Após essa etapa, os dados passam por análise estatística para avaliar variações na área plantada, produção e rendimento, comparando estimativas iniciais e finais, além da safra atual com a anterior. Reuniões técnicas complementam o processo, com a participação de pesquisadores que acompanham os mercados de cada produto.

Ao destacar a importância do acompanhamento contínuo do setor agropecuário, o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Haroldo Tavares Elias, explica que o monitoramento sistemático da produção e do mercado é estratégico para o planejamento das safras, a organização da armazenagem e a logística de distribuição, além de subsidiar decisões do governo, cooperativas, institutos de pesquisa e demais agentes das cadeias produtivas. “Essas projeções permitem identificar tendências, prospectar novos mercados e fundamentar políticas públicas mais eficientes para os produtores catarinenses”, ressalta.

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