Escassez eleva preços do feijão carioca
Feijão preto tem mercado mais pressionado
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O mercado de feijão carioca registrou valorização no período de transição entre o fim da primeira safra e o início da segunda, impulsionado pela demanda ativa e pela oferta restrita, sobretudo para grãos de melhor qualidade. Os dados constam no indicador elaborado pelo Cepea em parceria com a CNA.
Segundo a análise, “o comportamento do feijão carioca reforça um mercado ajustado no curto prazo”, com altas disseminadas nas principais regiões produtoras. Entre 17 e 24 de abril, os preços dos grãos de maior padrão avançaram 8,94% na Metade Sul do Paraná, 5,04% no Leste de Santa Catarina e 9,48% no Leste de Goiás, refletindo a escassez desses lotes e a dificuldade de reposição imediata.
Em Itapeva, a elevação foi mais moderada, de 2,35%, em um cenário com maior presença de oferta e limitações no repasse ao varejo. Ainda assim, o movimento de alta também atingiu grãos de qualidade intermediária. “A valorização também foi generalizada, sinalizando que a restrição de oferta já alcança a base do mercado”, aponta o indicador.
Nesse segmento, o Leste de Santa Catarina liderou os avanços, com alta de 12,17%, seguido pela Metade Sul do Paraná, com 6,37%, pelo Leste Goiano, com 6,61%, e pelo Noroeste de Minas Gerais, com 7,75%. Em regiões como o Distrito Federal e o Triângulo Mineiro, os preços se mantiveram estáveis, indicando equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda.
No mercado de feijão preto, o cenário segue distinto, com demanda irregular e dificuldade para sustentar as cotações. De acordo com o levantamento, “a demanda mais fraca limita a capacidade de reação dos preços, mesmo diante de ajustes pontuais na oferta”. As altas observadas em Curitiba, de 2,34%, e no Oeste Catarinense, de 1,80%, estiveram associadas a compras específicas.
Na Metade Sul do Paraná, por outro lado, houve recuo de 2,32%, refletindo pressão de fatores financeiros e a proximidade da segunda safra, o que mantém o mercado com viés mais frágil no curto prazo.