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Santa Catarina avança na produção e produtividade do leite

Produtividade do leite cresce em SC com tecnologia, gestão e assistência técnica


Foto: Divulgação

Santa Catarina segue consolidada como uma das principais referências da pecuária leiteira no Brasil. Com produção consistente, investimentos em tecnologia, adoção de técnicas modernas e foco na qualidade, o setor mantém papel estratégico para a economia estadual ao gerar renda, empregos e desenvolvimento no campo.

Ao mesmo tempo em que sustenta esse protagonismo, a atividade enfrenta desafios que exigem atenção constante de produtores, lideranças e instituições ligadas ao agronegócio. Ainda assim, o segmento continua avançando, apoiado na profissionalização das propriedades e na capacidade de adaptação dos produtores.

O setor ganhou ainda mais visibilidade em junho, com as comemorações do Dia Mundial do Leite, em 1º de junho, e do Dia Internacional do Leite, celebrado em 24 de junho. As datas serviram para reconhecer o trabalho dos produtores, discutir os desafios da atividade e destacar a importância da cadeia produtiva para o agronegócio catarinense e para a segurança alimentar.

De acordo com o boletim agropecuário da Epagri/Cepa, a captação nacional de leite alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior. Nesse cenário, Santa Catarina manteve a quarta colocação entre os maiores produtores do país, com 3,5 bilhões de litros e alta de 6,4%, respondendo por cerca de 13% da produção brasileira. Minas Gerais lidera o ranking, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul.

O desempenho catarinense é atribuído à eficiência produtiva e à gestão cada vez mais qualificada das propriedades. A atividade está presente em diversas regiões do Estado, principalmente em pequenas e médias propriedades, onde representa uma das principais fontes de renda para milhares de famílias. Além disso, movimenta empregos em diferentes etapas da cadeia, desde a produção até a indústria, transporte, comércio e serviços.

O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, afirmou que os resultados refletem a combinação entre dedicação dos produtores e investimentos em tecnologia, genética, alimentação, sanidade animal e gestão. "Nesse processo, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faesc/Senar, em parceria com os Sindicatos Rurais, tem contribuído para transformar a realidade das propriedades, elevar o nível de gestão, ampliar o uso de tecnologia e melhorar a produtividade".

Na comunidade de Linha Ariranhazinha, em Seara, no Oeste catarinense, a família Hartmann é um exemplo desse processo. Jonas Gustavo Hartmann trabalha ao lado da esposa, Eloide, do irmão Jean e dos pais, Egon e Secy em uma propriedade com 36 animais destinados à produção de leite, além da criação de ovinos como segunda atividade econômica.

A entrada da família na Assistência Técnica e Gerencial voltada ao leite ocorreu após os resultados positivos obtidos na ATeG Ovinocultura de Corte. Segundo Jonas, a experiência motivou a busca pelo mesmo acompanhamento na atividade leiteira. "Em uma visita técnica, o supervisor nos perguntou o que mais gostaríamos de melhorar. Respondemos que queríamos essa mudança também na atividade leiteira, como já havia acontecido com os ovinos. Ele nos orientou a procurar o Sindicato Rural de Seara e fazer a inscrição em uma turma. E foi isso que fizemos".

Antes da assistência técnica, a propriedade enfrentava dificuldades financeiras e problemas relacionados ao manejo, à alimentação e à sanidade do rebanho. A partir do acompanhamento, a família reorganizou o planejamento da atividade, estruturou a rotina de trabalho, implantou o piqueteamento das pastagens, passou a monitorar a produção e ajustou a alimentação dos animais.

Os reflexos apareceram rapidamente. A produção mensal, que girava em torno de 6 mil litros, passou para 14 mil, depois para 16 mil e alcançou 18 mil litros por mês, chegando a registrar 20 mil litros em determinado período, sem aumento no número de animais. "Foi algo muito significativo. Não aumentamos o plantel. Apenas colocamos em prática, mês a mês, aquilo que o técnico nos orientava. Com o mesmo número de animais, conseguimos melhorar muito a produção", destacou Eloide.

As mudanças também envolveram melhorias na nutrição do rebanho, instalação de bebedouros próximos à sala de ordenha, divisão das áreas de pastagem em piquetes e aperfeiçoamento do manejo dos animais.

Outro avanço ocorreu na gestão financeira. O controle mensal dos custos permitiu à família acompanhar melhor as despesas e planejar as decisões da propriedade. "Hoje conseguimos acompanhar melhor os custos, saber o que entra e o que sai. Antes não tínhamos essa visão. Agora conseguimos entender melhor a propriedade e planejar o mês seguinte", explicou Jonas.

Com a organização financeira e o aumento da produção, a família conseguiu equilibrar as contas, formar uma reserva e ampliar os investimentos. Para Jonas e Eloide, a ATeG trouxe mais segurança para conduzir a atividade. "Também representa novos caminhos, porque hoje temos mais confiança para fazer mudanças e investimentos", afirmou Eloide.

Entre os próximos objetivos da propriedade estão o avanço do melhoramento genético do rebanho e a conclusão de estruturas voltadas ao conforto animal, como áreas de sombreamento e ampliação dos pontos de água.

O técnico de campo da ATeG, Cleverson Percio, atribuiu os resultados à aplicação das recomendações técnicas e ao comprometimento da família. "Todas as recomendações foram elaboradas e executadas com critérios técnicos. Tudo teve base técnica e, com as ações realizadas pela família, tivemos sucesso. Chegamos ao objetivo e fomos além do que esperávamos", avaliou.

Para o supervisor técnico da ATeG, Fernando da Silveira, o caso demonstra a importância da assistência técnica contínua para melhorar a gestão, reduzir custos e ampliar a eficiência produtiva. "A ATeG mostra, na prática, que a produção de leite ganha força quando conhecimento técnico e gestão caminham juntos. Ao profissionalizar a propriedade, o produtor amplia sua eficiência, melhora os resultados e constrói uma atividade mais rentável e sustentável", ressaltou.

O presidente do Sindicato Rural de Seara, Valdemar Zanluchi, destacou que os resultados refletem a combinação entre conhecimento técnico, organização e dedicação da família. "Esse é um dos grandes casos de sucesso da nossa região. Temos orgulho dos resultados alcançados pela família e do impacto positivo que a ATeG tem proporcionado às propriedades rurais".

Com informações do Sistema Faesc/Senar*

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