Santa Catarina: preço da soja tem leve alta em março
Produção estadual de soja deve cair 7%
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O preço médio da soja ao produtor em Santa Catarina registrou leve recuperação em março, conforme dados do Boletim Agropecuário divulgado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). A cotação alcançou R$ 118,90 por saca na média estadual, alta de 1,6% em relação ao mês anterior.
Apesar do avanço pontual, o cenário segue pressionado pela ampla oferta. A colheita de uma safra brasileira estimada em 178 milhões de toneladas e o aumento da disponibilidade global da oleaginosa têm influenciado os preços no início do ano. Segundo o boletim, “A safra volumosa no Brasil de 178 milhões de toneladas, que está sendo colhida e a elevação da oferta global da oleaginosa tem pressionado os preços no início deste ano”. O relatório também aponta que “O conflito no Oriente médio (alta do petróleo/óleo de soja) tem sido o principal fator das instabilidades do mercado”.
Na comparação de curto prazo, houve recuo de 3% nos últimos 30 dias, considerando a base de março de 2026. Já no acumulado de 12 meses, entre março de 2025 e março de 2026, a variação foi negativa em 2,5%.
No mercado internacional, os preços em Chicago atingiram US$ 11,50 por bushel em contratos com vencimento em maio, em 15 de abril de 2026, mas seguem sujeitos à volatilidade em função do adiamento de negociações entre Estados Unidos e China e do nível dos estoques. Entre os derivados, o óleo de soja registrou níveis elevados impulsionado pelo petróleo e pelos biocombustíveis, enquanto o farelo alcançou volumes recordes de exportação.
No Brasil, fatores como a valorização do real e a elevação dos custos de frete, em meio ao avanço da colheita, estimado em 74%, têm reduzido as margens do produtor e limitado a liquidez no mercado interno.
As perspectivas de oferta global também influenciam o comportamento dos preços. Projeções indicam expansão de 4,3% na área plantada nos Estados Unidos para a safra 2026/27, o que pode limitar movimentos de alta mais intensos nas bolsas internacionais.
O boletim destaca ainda que medidas como a implementação do B16 no Brasil e as tensões no Oriente Médio são fatores relevantes para a sustentação dos preços do óleo de soja e, por consequência, de todo o complexo da oleaginosa.
No cenário estadual, a produção total de soja, considerando primeira e segunda safra, está estimada em 3,07 milhões de toneladas, o que representa queda de 5,9% em relação ao ciclo anterior. A área plantada da primeira safra 2025/2026 teve redução de 1,6%, enquanto a produtividade deve recuar 5,5% frente à safra passada, que foi a maior da série histórica.
A diminuição da produção, estimada em 7%, está associada a fatores climáticos e operacionais. Houve atraso no plantio devido à persistência do frio até outubro de 2025, além de estiagem e temperaturas elevadas registradas em janeiro em algumas regiões, que afetaram o potencial produtivo das lavouras.