Pesquisa avalia milho para produção de silagem em Santa Catarina
Pesquisa mede eficiência de milho para silagem
Foto: Pixabay
As variedades de milho de polinização aberta (VPAs) desenvolvidas pela Epagri estão sendo avaliadas para uso na produção de silagem, alimento essencial para a pecuária leiteira em Santa Catarina. A pesquisa é conduzida por equipes do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó, e da Estação Experimental de Campos Novos (Epagri/EECN), com o objetivo de medir produtividade, qualidade nutricional e viabilidade econômica dessas cultivares.
O estudo analisa o desempenho das variedades SCS155 Catarina e SCS157 Prodígio, comparando-as com dois híbridos comerciais de média e alta tecnologia.
"A partir dos ensaios, vamos quantificar a produção de forragem, o valor nutritivo e também a viabilidade econômica da silagem porque esse é um ponto fundamental para a escolha do produtor por um híbrido ou uma variedade de polinização aberta", explica o pesquisador Daniel Augusto Barreta, zootecnista e doutor em Ciência Animal.
O projeto foi iniciado em 2025, conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) e deve ser concluído no segundo semestre de 2027. Segundo Barreta, a expectativa é que os resultados permitam elaborar recomendações específicas para os produtores de milho destinado à silagem.
"Nos quesitos técnico e econômico, a pesquisa vai gerar recomendações regionais aos produtores de milho para silagem, incluindo questões como escolha de material, processamento de grãos, período mínimo de armazenagem e uso estratégico das VPAs em comparação aos híbridos", afirma.
Os experimentos foram implantados na safra 2025/26 em duas regiões com características climáticas distintas. Em Chapecó, os ensaios ocorrem em área de clima subtropical úmido, com verões mais quentes. Já em Campos Novos, os testes são realizados em região de clima subtropical de altitude, onde os verões são mais amenos. As avaliações serão repetidas na safra 2026/27 para verificar o comportamento das cultivares em diferentes condições climáticas, incluindo situações de estresse hídrico.
Além da produtividade de matéria verde e matéria seca por hectare, a pesquisa também vai medir indicadores econômicos e produtivos, como o custo por tonelada de matéria seca produzida e o potencial de conversão da silagem em leite.
"A partir destes dados, teremos como calcular o potencial de produção de leite por hectare de silagem, uma métrica importante para comparar um milho híbrido com uma VPA. Será possível também comparar o custo da silagem em relação a algumas forrageiras", destaca Barreta.
Os primeiros resultados apontam que as variedades de polinização aberta apresentaram rendimento de matéria verde e matéria seca semelhante ao dos híbridos de média tecnologia. Caso esse desempenho seja confirmado até o fim da pesquisa, as VPAs poderão se consolidar como uma alternativa economicamente interessante, principalmente devido ao menor custo de implantação das lavouras. As sementes dessas variedades, inclusive, já estão disponíveis por meio do Programa Terra Boa.
Santa Catarina possui mais de 20 mil propriedades que comercializam leite, atividade que depende diretamente da eficiência na alimentação dos animais. Segundo a Epagri, a cadeia leiteira ocupa a terceira posição entre as atividades agropecuárias do estado em valor bruto de produção, atrás apenas dos setores de aves e suínos.
A produção de milho para silagem também tem papel importante na agropecuária catarinense. Na safra de 2025, a cultura registrou crescimento de 46% no valor da produção, o segundo maior avanço entre as atividades agrícolas do estado. Atualmente, Santa Catarina produz cerca de 10 milhões de toneladas de milho para silagem por ano, cultivadas em aproximadamente 220 mil hectares.
Embora a Epagri recomende sistemas de produção de leite baseados em pastagens, Barreta ressalta que a utilização de forragem conservada é indispensável para garantir alimentação ao rebanho durante todo o ano, já que fatores como temperatura e regime de chuvas influenciam diretamente o crescimento das pastagens.
Ao final do estudo, os resultados deverão servir de base para orientar os produtores sobre o uso das variedades da Epagri na produção de silagem e fortalecer as ações de transferência de tecnologia voltadas ao setor leiteiro catarinense.