“Quem não se reinventa, não cresce”, diz vice-presidente da Fundação Chapadão
Avanço da agricultura nas últimas décadas é resultado dos investimentos
Foto: Nadia Borges
O desenvolvimento de novas tecnologias para a soja envolve uma jornada longa, complexa e que depende da atuação integrada de diferentes elos da cadeia produtiva. O tema foi debatido no Workshop Biotecnologia no Brasil - Oportunidades, inovação e o futuro do agro , promovido pela Bayer.
Durante o painel, Fábio Passos, diretor de soja comercial da Bayer, explicou que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia pode levar até 15 anos desde as primeiras pesquisas até a chegada ao mercado. Segundo ele, o processo começa muito antes da descoberta da tecnologia, com estudos que buscam antecipar os desafios que a agricultura enfrentará nas próximas décadas.
Passos explica que, as empresas já trabalham com projeções para 2040 e 2045, avaliando fatores como a evolução das pragas, mudanças climáticas e novas demandas dos sistemas produtivos. A partir dessa análise, inicia-se a fase de pesquisa em laboratório, seguida por testes, validações regulatórias e adaptação das tecnologias às diferentes realidades agrícolas.
O executivo destacou que a biotecnologia, além de passar por rigorosos processos de aprovação em diversos países, precisa estar associada a materiais genéticos adaptados às condições de cultivo de cada região. Por isso, o desenvolvimento de uma nova tecnologia exige a participação de obtentores, empresas de melhoramento genético e multiplicadores de sementes ao longo de todo o processo.
Um outro ponto destacado foi o alto volume de investimentos necessários para transformar uma descoberta científica em uma solução comercial. Segundo Passos, o grande desafio não está apenas em desenvolver a inovação, mas em garantir que ela chegue ao produtor em larga escala e gere impacto positivo na produção agrícola.
Na sequência, Tages Martinelli, CEO da Sementes Jotabasso, destacou a importância do setor sementeiro para a disseminação das novas tecnologias no campo. Segundo ele, as sementes são o principal veículo para levar ao produtor todo o potencial das biotecnologias e do melhoramento genético.
Martinelli afirmou que a produção de sementes de alta qualidade exige investimentos contínuos em estrutura, pesquisa e, principalmente, em pessoas capacitadas. Ele ressaltou que o trabalho desenvolvido pelas sementeiras é fundamental para garantir que as cultivares expressem seu máximo potencial produtivo.
O executivo também lembrou que estudos apontam que sementes de alto vigor e qualidade podem contribuir significativamente para o aumento da produtividade. Para ele, o avanço da agricultura nas últimas décadas é resultado de investimentos realizados por toda a cadeia produtiva, envolvendo pesquisadores, desenvolvedores de tecnologia, sementeiros e produtores rurais.
Atualmente, o produtor brasileiro conta com uma ampla oferta de tecnologias e cultivares. Segundo Martinelli, são inúmeras de biotecnologias e milhares de variedades disponíveis, o que amplia as possibilidades de escolha, mas também exige uma tomada de decisão cada vez mais criteriosa dentro das propriedades.
Pompilio Rocha, vice-presidente da Fundação Chapadão e participante da Aprosoja Mato Grosso do Sul, destacou que a adoção de tecnologias depende da capacidade de avaliar o desempenho dos materiais nas condições específicas de cada fazenda.
Segundo ele, a realização de áreas experimentais é uma ferramenta essencial para identificar quais cultivares apresentam melhor desempenho em cada ambiente produtivo. Rocha explicou que nem sempre a variedade mais plantada em uma região será a mais adequada para todas as propriedades, tornando a experimentação uma etapa importante no processo de tomada de decisão.
Pompilio também enfatizou que a tecnologia no campo vai além da aquisição de máquinas e equipamentos. Para ele, o conhecimento aplicado ao planejamento da safra e ao manejo das lavouras é um dos principais fatores para o sucesso da produção.
Entre os aspectos considerados decisivos estão a escolha da cultivar adequada, a utilização de sementes de qualidade e a realização do plantio na época correta. Na avaliação de Rocha, um planejamento eficiente e uma implantação bem executada da lavoura são determinantes para que as tecnologias disponíveis expressem todo o seu potencial.
O debate reforçou que a evolução da sojicultura brasileira é resultado da integração entre pesquisa, inovação, produção de sementes e gestão dentro da propriedade rural. Embora cada elo tenha desafios distintos, todos compartilham o mesmo objetivo: transformar conhecimento e tecnologia em maior produtividade e sustentabilidade para o campo.