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Safra de laranja cresce 27%, mas seca e pragas reduzem produção estimada

Clima afeta safra de laranja em São Paulo


Foto: Seane Lennon

A safra 2025/2026 de laranja no Cinturão Citrícola de São Paulo foi encerrada com produção de 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg, volume 27% superior ao registrado no ciclo anterior, segundo relatório divulgado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo. Apesar do crescimento, o resultado ficou 7% abaixo da projeção inicial, estimada em 314,6 milhões de caixas.

O levantamento aponta que o ritmo de colheita foi mais lento ao longo do ciclo. A expectativa era de que variedades tardias, especialmente a Pera, fossem colhidas após o período chuvoso, mas quase metade da produção foi retirada ainda durante a estiagem, o que afetou o desenvolvimento dos frutos.

A irregularidade climática aparece como um dos principais fatores que influenciaram o desempenho da safra. A precipitação média ficou 13% abaixo do histórico nas regiões monitoradas, com exceção do setor Sul. Já o setor Norte concentrou os maiores déficits hídricos, com destaque para municípios como Altinópolis e Bebedouro.

Além da seca, a produção foi impactada por perdas associadas à queda de frutos, que atingiram média de 23,2% ao longo do ciclo. O problema foi intensificado pela incidência de greening e outras pragas, como bicho-furão, mosca-das-frutas e leprose, além de episódios de vento. A estimativa é de que cerca de 88,5 milhões de caixas tenham sido perdidas.

O desempenho variou entre as variedades. As precoces, como Hamlin, Westin e Rubi, registraram produção de 46,2 milhões de caixas, com crescimento de 23% e manutenção do peso médio. Outras precoces apresentaram redução no peso, mas somaram 17,6 milhões de caixas. As variedades de meia-estação, especialmente a Pera Rio, tiveram impacto mais direto da estiagem, com redução no peso médio dos frutos, embora a produção tenha alcançado 87,4 milhões de caixas, alta de 17%.

Entre as tardias, como Valência e Folha Murcha, houve aumento na taxa de queda e redução no peso médio, reflexo da maior exposição a condições climáticas adversas. Ainda assim, a produção atingiu 104,5 milhões de caixas, com crescimento de 37,6%. A laranja Natal seguiu tendência semelhante, registrando a maior taxa de queda, de 28,8%, mas superou as estimativas ao alcançar 37,1 milhões de caixas, favorecida pelo retorno das chuvas em parte da colheita realizada em 2026.

O aumento da oferta, aliado à melhora na qualidade, maior disponibilidade no mercado internacional e recomposição dos estoques, pressionou os preços ao longo do ciclo. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a caixa da laranja Pera caiu de R$ 80,00 em maio de 2025 para R$ 41,40 em fevereiro de 2026.

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