Setor biológico amplia competitividade da agricultura
O Brasil importa cerca de 88% dos fertilizantes que consome
O Brasil importa cerca de 88% dos fertilizantes que consome - Foto: Divulgação
Os insumos biológicos deixaram de ser vistos apenas como uma tendência ambiental e passaram a ocupar espaço estratégico nas decisões econômicas do agronegócio brasileiro. Segundo Carlos Cogo, sócio-diretor de Consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, a evolução desse mercado mostra que um segmento antes considerado de nicho se tornou uma das áreas mais relevantes e estratégicas da agropecuária nacional.
A mudança ocorre em um ambiente marcado por juros elevados, margens mais apertadas no campo, forte dependência de fertilizantes importados, incertezas geopolíticas e pressão crescente por ganhos de produtividade. Nesse cenário, produtores passam a avaliar os insumos biológicos não apenas pela sustentabilidade, mas também por seu potencial de reduzir riscos e melhorar a eficiência da produção.
O Brasil importa cerca de 88% dos fertilizantes que consome, enquanto os insumos biológicos são cada vez mais produzidos no próprio país. Essa diferença pode ampliar a resiliência da agricultura brasileira, reduzir a exposição a interrupções no abastecimento internacional e criar vantagens competitivas baseadas em maior autonomia e eficiência.
A análise também destaca que a biodiversidade brasileira, o conhecimento científico acumulado e a evolução do ambiente regulatório contribuem para posicionar o país entre os principais mercados globais de biossoluções. Ao mesmo tempo, a consolidação do setor ainda envolve oportunidades e desafios econômicos, tecnológicos e regulatórios.
Com esse avanço, as biossoluções deixam de ocupar um papel complementar e passam a ser vistas como um dos pilares da competitividade agrícola, em uma transformação que combina produção nacional, inovação e busca por maior segurança diante das oscilações do mercado internacional.