Frio e seca ameaçam segunda safra de milho e feijão no centro-sul do país
Inmet alerta para possíveis perdas na segunda safra
Foto: Canva
As condições climáticas adversas vêm afetando o desenvolvimento da segunda safra de grãos no Paraná e em Mato Grosso do Sul, segundo análise divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia. O cenário combina estiagem, atraso no calendário agrícola e previsão de frio intenso, aumentando o risco para culturas como milho e feijão em fases sensíveis de desenvolvimento.
De acordo com o levantamento, o atraso na colheita em algumas regiões comprometeu a janela ideal de semeadura das culturas subsequentes. A situação elevou a exposição das lavouras à redução das chuvas e à chegada antecipada de massas de ar frio, fenômeno comum ao longo do mês de maio.
Durante a implantação das lavouras de milho e feijão, houve redução nos volumes de chuva, principalmente no oeste paranaense e no sul de Mato Grosso do Sul. As duas culturas entraram em fases críticas de desenvolvimento entre abril e o início de maio, justamente em um período de maior demanda hídrica pelas plantas.
Segundo o Inmet, a falta de chuva já provocou perdas significativas nas lavouras, mesmo após a melhora das precipitações registrada entre o fim de abril e o começo de maio.
A preocupação aumentou após as previsões indicarem o avanço de uma massa de ar polar sobre a Região Sul, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O sistema deve provocar queda acentuada das temperaturas e favorecer a ocorrência de geadas em grande parte do Sul do país.
O cenário preocupa principalmente produtores de milho e feijão, culturas consideradas mais vulneráveis às baixas temperaturas nesta fase do ciclo produtivo. Em regiões mais suscetíveis à geada, a combinação entre estiagem prolongada e frio intenso pode comprometer ainda mais a produtividade.
O Inmet destaca o caso do núcleo regional de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, onde há cerca de 33 mil hectares cultivados com milho de segunda safra. Dados do Departamento de Economia Rural mostram que aproximadamente 95% da área está em fases mais sensíveis ao estresse térmico, sendo 25% em floração e 70% em frutificação.
A previsão aponta temperaturas mínimas próximas de 3,6°C na terça-feira (12), condição que aumenta o risco de falhas na polinização, redução no enchimento dos grãos e perda de produtividade. O boletim também ressalta que o período de estiagem entre os dias 10 e 26 de abril elevou a vulnerabilidade das plantas ao frio.
No caso do feijão, os impactos podem ser ainda maiores. Segundo a análise, a geada pode provocar abortamento floral, redução na formação de vagens e prejuízos ao enchimento dos grãos, afetando peso e qualidade da produção.
Por outro lado, culturas de inverno em fase inicial, como trigo, aveia, canola e pastagens, não devem registrar impactos negativos significativos neste momento.
A previsão meteorológica indica ainda a passagem de uma frente fria pela Região Sul, favorecendo chuvas intensas e possibilidade de temporais em áreas do sudoeste e centro-sul do Paraná, além do norte de Santa Catarina. Os acumulados podem superar 80 milímetros em algumas localidades.
As temperaturas devem seguir baixas nos próximos dias em grande parte da Região Sul, especialmente no sul do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, oeste do Paraná e extremo sul de Mato Grosso do Sul. Em áreas mais elevadas do centro-sul paranaense e da serra catarinense, os termômetros podem registrar temperaturas inferiores a 2°C.
O Inmet recomenda acompanhamento constante das atualizações meteorológicas para auxiliar produtores rurais no planejamento das atividades de campo e na adoção de medidas para reduzir riscos às lavouras.