Farm Show mostra por que degustar vinho vai além do paladar
Atividade da Unipampa apresentou vinhos e derivados da uva
Foto: Lucas Vieira/Divulgação
A degustação de vinhos e de outros produtos derivados da uva ganhou um olhar científico nesta quinta-feira (15), durante a programação da 93ª Farm Show, em Dom Pedrito. A atividade foi promovida a partir de produtos desenvolvidos no Vinhedo e na Vinícola Experimental do curso de Bacharelado em Enologia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com apoio do Sebrae-RS.
Além de apresentar os produtos, a atividade buscou mostrar ao público como funciona a análise sensorial, processo que envolve aspectos visuais, olfativos e gustativos e também é influenciado pelas experiências individuais de quem degusta. A professora do curso de Bacharelado em Enologia da Unipampa, Esther Theisen, explicou que a percepção de um vinho não depende apenas das características do produto.
Segundo ela, cada pessoa constrói sua própria experiência sensorial a partir do repertório que possui. “A degustação é uma prática acessível a todas as pessoas. Nós temos capacidade de analisar os vinhos e só precisamos de repertório, ou seja, entender o que estamos procurando”, afirmou.
De acordo com Esther, características como cor, intensidade, aromas, acidez, doçura, corpo e equilíbrio fazem parte da avaliação. Mas a identificação dessas características pode variar de uma pessoa para outra. Memórias e experiências também interferem na percepção dos aromas e sabores. “A percepção sensorial não é só aquele produto, é a pessoa que está degustando. É muito comum que eu perceba alguns aromas ou sensações e outra pessoa perceba outros”, explicou.
A professora também apresentou noções básicas para a degustação. Na análise visual, são observadas a tonalidade, a intensidade e a transparência do vinho. No olfato, entram aspectos como intensidade e nitidez dos aromas, além da identificação de possíveis defeitos. Já na boca, são avaliados elementos como o chamado ataque inicial, acidez, corpo e equilíbrio.
Esther destacou ainda que o equilíbrio é um dos principais aspectos na avaliação de um vinho. A percepção, porém, pode mudar conforme o hábito de consumo de cada pessoa. “Quem está acostumado a degustar só vinho suave, quando degustar um seco, pode achar que ele está muito ácido. Para quem já está acostumado com esse tipo de vinho, a percepção será diferente”, exemplificou.
A atividade também apresentou o trabalho desenvolvido dentro da universidade. Os vinhos estão relacionados a projetos e grupos de pesquisa que envolvem professores, estudantes e técnicos na busca de soluções científicas e tecnológicas para a região. “Isso é resultado daquilo que a gente acredita como trabalho dentro de uma universidade federal: desenvolver o território através da ciência”, destacou Esther.
Após a apresentação, foi realizada uma sessão de degustação com seis participantes de diferentes profissões e origens, que compartilharam suas percepções sobre os produtos. O público presente na Farm Show também foi convidado a experimentar os vinhos e participar da experiência sensorial.