Nova tabela de alimentação para tilápias reduz custos
Tabela otimiza alimentação de tilápias e reduz custos na piscicultura do Tocantins
Foto: Divulgação
A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) desenvolveu uma tecnologia que pode promover uma economia de até 7% no custo de alimentação das tilápias cultivadas em tanques-rede. Esse é o principal resultado da pesquisa que está sendo divulgada por meio do novo Comunicado Técnico, já disponível gratuitamente. O estudo valida, para o Tocantins, uma tabela de alimentação específica para a tilápia-do-nilo criada em tanques-rede — condição predominante na piscicultura do estado. O lançamento oficial da tecnologia será na Agrotins, próxima quinta-feira (14), 10h, durante a VII Reunião Técnica – Produção de Peixes em Tanques-Rede nos Reservatórios do Tocantins. O evento acontecerá no Pavilhão da Pesca e Aquicultura.
“É uma tecnologia que valida, pela primeira vez para as condições do Tocantins, uma tabela de alimentação específica para a engorda da tilápia em tanques-rede. Até então, os produtores utilizavam tabelas desenvolvidas para outras regiões, como os reservatórios de Serra da Mesa e Cana Brava, em Goiás”, destaca a pesquisadora Ana Paula Oeda, líder da pesquisa.
A validação demonstrou que é possível reduzir em 10% a quantidade de ração fornecida, sem comprometer o crescimento, a sobrevivência e o rendimento de carcaça dos peixes. Além do aumento na eficiência de utilização de ração (insumo mais caro em uma piscicultura), há redução do impacto ambiental e aumento da rentabilidade da atividade. O documento também fortalece a cadeia produtiva da tilápia no Tocantins, oferecendo orientações práticas aos piscicultores sobre boas práticas de alimentação.
A ração representa até 80% dos custos na engorda de tilápias, e pequenos ajustes podem reduzir significativamente o gasto do produtor, sem comprometer o desempenho dos peixes.
A pesquisadora ressalta, no entanto, que a tabela ainda precisa ser validada em outros estados. “A tecnologia pode ser aplicada em regiões com condições ambientais e sistemas produtivos semelhantes aos do Tocantins. No entanto, recomenda-se que a tabela seja ajustada e validada localmente, pois fatores como qualidade da água, manejo e densidade de estocagem podem influenciar o consumo e utilização da ração e o crescimento dos peixes”, ressalta.
Pesquisadores testaram, no reservatório de Lajeado, uma adaptação da tabela tradicionalmente usada na região de Serra da Mesa, comparando o manejo usual com outro que reduziu em 10% a taxa de alimentação semanal. Os resultados comprovaram que a redução não comprometeu o crescimento nem a conversão alimentar dos peixes. Mantendo-se o desempenho zootécnico, o manejo otimizado diminuiu o custo final de produção: um peixe que sairia por R$ 7,00/kg, com o novo protocolo, pode chegar a R$ 6,51/kg.
A tabela validada apresenta, semana a semana, as recomendações para produtores que trabalham com peixes entre 190 g e acima de 1 kg. O documento define número de refeições diárias (quatro), taxa de alimentação (baseada no percentual da biomassa), nível de proteína das rações (32%) e granulometria dos pellets (de 4–6 mm, passando para 6–8 mm conforme o crescimento). A publicação também traz exemplos práticos de cálculo da quantidade diária de ração a partir da biomassa do viveiro — facilitando a adoção do manejo proposto.
Nos estudos conduzidos pela Embrapa, os peixes passaram de 210 g para 936 g em 119 dias, com conversão alimentar média de 1,7 e taxa de sobrevivência de 97%. Esses indicadores reforçam a segurança técnica da tabela para as condições ambientais do Tocantins.
Segundo Oeda, não basta o produtor apenas adotar os dados da tabela para obter economia nas despesas com ração na criação de tilápias. “É fundamental também evitar sobras de ração nos tanques-rede; utilizar comedouros; fixar horários de alimentação; realizar biometrias periódicas para acompanhar o crescimento dos peixes e, por fim, armazenar a ração em condições adequadas”, ressalta a pesquisadora. Todas essas recomendações estão descritas no Comunicado Técnico.
Apesar de ter produzido apenas 700 toneladas de tilápia em 2024 — reflexo da recente regulamentação dos tanques-rede no estado — o Tocantins possui um enorme potencial: a capacidade de suporte estimada é de 290 mil toneladas por ano. A validação de uma tabela alimentar regionalizada representa um passo importante para impulsionar o setor, reduzindo custos e aumentando a competitividade dos produtores locais.