Broca dos Ramos: praga do cafeeiro ameaça produção brasileira
A nova praga dos cafezais ameaça a produção brasileira, porque ainda não se têm estudos no país sobre seu controle
Broca dos Ramos: praga do cafeeiro ameaça produção brasileira
Uma nova praga do cafeeiro, a broca dos ramos ou hastes, acaba de atingir a principal região de café robusta (Conillon) do Brasil, sendo contatada, nesse último ano, no Norte do estado do Espírito Santo.
Trata-se de um pequeno besouro marrom escuro, quase preto, com 1,2 a 1,6 mm de tamanho, muito parecido com a broca dos frutos (Hypothenemus hampei), aliás pertencendo a mesma família Scolitidae.
A identificação da espécie dessa praga ainda depende das respostas sobre os exemplares enviados a taxonomistas. Mas, pelas suas características, é quase certo tratar-se de ‘Xylosandrus compactus’.
Essa espécie foi constatada pela primeira vez no Brasil em 1999, em algumas plantas de cafeeiros robusta no Sul da Bahia (em Uma), mas as plantas atacadas foram eliminadas e a broca desapareceu naquele local.
Em 2004/05, muitas lavouras de café Conillon foram observadas com ataque de broca de ramos, em vários municípios, como Colatina, Baixo Guandu e Santa Tereza, no Espírito Santo. Nos últimos meses foi constatado também ataque em cafezais da região vizinha, no Vale do Rio Doce, em Mutum, Minas Gerais.
# Sintomas da Praga
A identificação da broca dos ramos é bastante fácil, mesmo no campo, pela observação dos sintomas e sinais na lavoura.
A princípio, deve-se verificar se existem ramos mortos nas plantas, tanto os ramos produtivos (laterais) como os ramos ortotrópicos ou ladrões (verticais). Nesses ramos atacados as folhas secam, mas ficam bastante tempo presas aos ramos.
Em seguida, deve-se verificar a existência de pequenos furos externamente, na região do ramo que divide a parte morta da parte que fica viva. Esses furos têm 0,2 a 0,5mm. Caso não se consiga enxergar, externamente, os furos, corta-se, de cima para baixo o ramo atacado com um canivete para observar na parte central, junto à medula do ramo, a presença de uma galeria, escura, onde se podem encontrar os adultos, ovos e larvas da broca.
É freqüente observar vários adultos ou pré-adultos (cor mais clara), até 20 por galeria. O adulto se parece com a broca do fruto, tento 1,2 a 1,6 mm de comprimento e é de cor escura. Sob a lupa a diferença em relação à broca dos frutos é que a broca dos ramos é lisa, não tendo pêlos sobre o corpo como aquela.
A porção atacada dos ramos, onde a broca fura, sempre se situa na parte com a casca ainda verde. No caso dos ramos ladrões, ela ataca aqueles que saem na base da planta, desde bem jovens. Abaixo da área atacada eles podem rebrotar, mas a renovação de hastes velhas, na pode de produção usada no cafeeiro Conillon, fica prejudicada.
A morte dos ramos, nas porções acima da área atacada, ocorre pela destruição da medula do ramo e de pequena porção do lenho em volta dela. Na galeria é possível que haja, também, entrada de fungos, que apodrecem e aceleram a morte dos tecidos.
À primeira vista parece que algumas plantas robustas, aquelas com folhas maiores, são mais atacadas que outras, tipo Conillon folhas-finas. Em uma área de lavoura verificou-se o ataque somente nas plantas de um clone usado como polinizador. Lembra-se que o primeiro ataque, na Bahia, só ocorreu em plantas de um tipo de robusta. Esses aspectos de suscetibilidade ou de preferência da broca devem ser objeto de observações pela pesquisa.
# Medidas de Controle
Não se dispõe, para as condições brasileiras, de estudos ou pesquisas de controle, os quais serão instalados nesse ano agrícola.
Pela experiência em outros países, podem-se, entretanto, indicar dois tipos de controle: a poda sanitária, aplicada às pequenas plantações, onde o produtor vai cortando os ramos sexos e queimando-os, para reduzir a população da praga, e o controle químico, que a literatura cita como eficiente o uso de inseticidas organo-fosforados. Ambos tipos são difíceis, especialmente o segundo, pois a broca fica protegida dentro do ramo.
O que se pode indicar, também, é o uso de produtos à base de endossulfan com prioridade nas áreas atacadas pela broca dos ramos, sabendo-se que o tratamento é bastante eficiente contra a broca dos frutos e, de forma paralela, pode reduzir a população da broca dos ramos.
A nível de medidas gerais, para conhecer e controlar o problema, recomenda-se uma ação de organismos estatais (Mapa, Secretarias de Agricultura), visando efetuar um levantamento da infestação e, até, buscar medidas para reduzir a disseminação da praga.
Nesse aspecto cita-se o fator desfavorável que é a grande quantidade de espécies de plantas (mais de 200) citadas pela literatura como atacadas por ‘Xylosandrus’. Citam-se, como exemplo, o cacaueiro, a mangueira, o eucalipto, o abacateiro, entre outros.
# Praga séria em outros países
‘Xylosandrus compactus’, cujo gênero era classificado anteriormente como ‘Xyloborus’, é uma praga séria do cafeeiro na Ásia e na África. Observou-se forte seca de ramos em cafeeiros devido ao ataque da broca no Vietnã, no Sul da China e no Timor Leste.
No Timor Leste, verificou-se graves danos pela broca das hastes, que ali era restrita aos cafeeiros robusta, não se observando a praga sobre cafeeiros de variedades arábica, plantados próximos. Na África existem relatos de ataques severos da broca e, na América, a literatura cita sua ocorrência em cafezais no Equador.
Para a cafeicultura brasileira ‘Xylosandrus compactus’ é considerada, pelo Mapa, uma praga quarentenárias, isto é, uma praga exógena ao cafeeiro, cuja entrada no país deve ser evitada.
Com a ocorrência recente, as observações iniciais em lavouras atacadas mostram já prejuízos significativos, preocupando os produtores, que ao verem vários ramos secos nos cafeeiros acham estranho e os levam até os técnicos, para saber do que se trata, achando, eles mesmos, que o problema está se tornando grave em suas lavouras.
É preciso, no entanto, esperar e estudar a evolução do ataque em nossas condições: dependendo da sua adaptação ambiental, relativamente ao clima, à variedade (clone) e à presença de inimigos naturais, pode haver maior ou menor potencial de prejuízos. É necessário conhecer, também, através de levantamento, a distribuição da praga nas lavouras e nas regiões, inclusive para eventuais medidas de controle.
De qualquer modo, fica o alerta, para os técnicos e produtores, no sentido de que devem conhecer e passar a acompanhar o ataque da broca dos ramos, e, assim, auxiliar na avaliação dos problemas causados pela praga e nos trabalhos futuros para seu controle.