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Cárie-do-arroz: identificação, danos e controle

Cárie-do-arroz: identificação, danos e controle

Cárie-do-arroz: identificação, danos e controle

- Falso-carvão:

O falso-carvão do arroz, causado pelo fungo "Ustilaginoidea virens", é uma doença de importância menor e pode ser diferenciado pela produção de massa de esporos de coloração amarelo-alaranjada a verde-escuro. Essa estrutura de esporos sobrevive no solo de um ano para outro, infectando grãos isolados nas panículas de arroz.

# Cárie-do-arroz:

Existem em torno de 200 espécies de fungos no gênero "Tilletia", entre elas a "T. indica", cárie-do-trigo que é considerada grande ameaça para a triticultura brasileira e a cárie-do-arroz.

A cárie-do-arroz, "Tilletia baclayana" ("Neovossia horrida") também conhecida por carvão-do-arroz é uma doença de ocorrência freqüente nos países da Ásia e no Sul dos Estados Unidos. No Brasil é motivo de preocupação e na Austrália ainda não foi constatada.

Cultivares suscetíveis de arroz caracterizam-se por apresentar grande massa de esporos de coloração negra, produzidos no endosperma da semente (Foto).

O carvão-do-trigo e o carvão-do-milho ("Diplodia spp.") são transmitidos pela semente e afetam a espiga inteira via sistêmica durante o desenvolvimento da planta. O fungo do carvão-do-arroz ou cárie do grão do arroz ("Tilletia sp."), pode ser disseminado pela semente, mas a infecção dos grãos na panícula não ocorre via sistêmica, independe do tratamento de sementes com fungicidas e está diretamente relacionada às condições favoráveis para a doença na fase de floração do arroz.

Os esporos sobrevivem no solo, palha e água e são encontrados em abundância nos ambientes onde se cultiva arroz. Os esporos podem germinar na superfície da água, expelindo esporídios no ar, que penetram na flor do arroz, completando o ciclo biológico.

A infecção do carvão ocorre num curto período de tempo, na antese. Isto é, logo depois da emissão da panícula, na abertura do pálea e do lema (casca do grão de arroz), quando ocorre a liberação da antera (parte masculina que produz pólen) e a fecundação da semente.

O fungo se desenvolve no endosperma e ocupa parte ou toda a semente com a produção de massa negra de esporos. Cada grão pode produzir até 37 mil esporos, que sobrevivem no solo, na palha ou na água, entre os cultivos de arroz e podem ser disseminados pelo vento, infectando as panículas no ano seguinte.

Os sintomas aparecem na fase de maturação do arroz e são constatados com maior facilidade nas manhãs úmidas. A massa de esporos absorve água, aumenta o volume do grão, tornando-se visível e cobrindo outras partes das plantas com líquido preto. Durante o dia a massa desidrata, tornando-se pó negro, que é facilmente removido das plantas e pode formar poeira que cobre as colhedoras de preto.

# Danos:

O ambiente favorável (elevado teor de umidade no ar, temperatura amena e pouca luminosidade) e a presença de grande quantidade de esporos, no momento crítico de fecundação de arroz, que dura poucas horas, determinam a severidade da doença. Em geral, apenas alguns grãos aparecem infectados em cada panícula. Numa situação de pleno sol e baixa umidade do ar, praticamente, não ocorrerá cárie, enquanto, uma semana chuvosa na fase de floração do arroz, a ocorrência poderá ser generalizada.

A infecção ocorre em poucos grãos por panícula e danos severos podem reduzir a produção em até 15 %.

Não há evidências de produção de toxinas pelo fungo ou outro dano direto na qualidade de grãos. Em arroz parboilizado o carvão pode causar coloração acinzentada.

# Controle:

A escolha de cultivares resistentes é a principal forma de controle do cárie-do-arroz.

O tratamento de sementes com fungicidas pode reduzir a disseminação do fungo para outras regiões. Sobre carvão em trigo e arroz o tratamento de sementes pode ser eficiente, mas para a cárie a infecção externa, na floração, e não há persistência suficiente de fungicidas.

O uso de fungicidas pode reduzir o índice de grãos infectados. Se aplicados na fase entre a emissão da panícula e a floração do arroz, quando o fungo penetra na planta.

Autores: Eng. Agrônomo Dirceu N. Gassen e Flávio R. Gassen - gerência técnica da Cooplantio.

Elaborado com base em revisão bibliográfica, informações de especialistas da área e observações de campo em 2006.

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