Novas formas de manejo integrado da Traça-do-Tomateiro
A traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) é uma das principais pragas da cultura do tomateiro, podendo causar perdas de até 25 - 50% dos frutos. Os adultos são pequenas mariposas de coloração cinza-prateada, com cerca de 10 mm de comprimento. Podem ser vistas ao amanhecer e ao entardecer, quando voam, acasalam e fazem a postura. Os ovos podem ser colocados nas folhas, hastes, flores e frutos.
As lagartas apresentam coloração inicial branca tornando-se, posteriormente, verdearroxeadas. Períodos quentes e secos favorecem sua ocorrência, verificando-se menor população em períodos chuvosos. As lagartas formam galerias (minas) transparentes nas folhas e se alimentam no interior destas. Em ataques severos, podem destruir completamente as folhas do tomateiro. Atacam também o caule, formando minas e os frutos, formando galerias; nos locais de ataque observam-se fezes escuras. Os frutos danificados ficam impróprios para comercialização, além de facilitar a contaminação por patógenos.
Ultimamente, verifica-se a presença de altas populações desta praga em lavouras de tomateiro, o que dificulta o controle eficiente. Isso tem ocorrido devido ao manejo incorreto da cultura e da praga. Assim, plantios sucessivos da cultura, na mesma área, o ano todo e a não eliminação de restos culturais impedem uma quebra no ciclo da praga. A utilização de agrotóxicos, de forma indiscriminada, propicia a seleção de populações de insetos resistentes aos diversos princípios ativos utilizados.
O controle de pragas é um processo complexo e não pode ser feito por meio de uma só medida, e sim, por um conjunto de medidas, denominado manejo integrado, que envolve medidas de controle cultural, biológico e químico, quando necessário.
Um controle eficiente da traça-do-tomateiro poderá ser obtido com: rotação de culturas, de modo a interromper gerações sucessivas da praga na mesma área; eliminação de plantas hospedeiras do inseto, como solanáceas silvestres (‘joá-bravo’ e ‘maria-pretinha’); destruição de restos culturais logo após a colheita e evitando novos plantios de tomate junto a culturas já em desenvolvimento.
O controle químico é a prática mais utilizada por agricultores. As pulverizações devem ser iniciadas quando for constatada a presença do inseto na área, seja através da amostragem dos brotos mais novos das plantas para verificar a presença de ovos, seja através do uso de armadilhas de feromônio para identificar a chegada de adultos nas lavouras. No entanto, deve-se ter em mente que a aplicação de inseticidas não é capaz de eliminar todos os insetos presentes nas lavouras. Normalmente, os produtos mais eficientes controlam cerca de 95% da população.
Estudos indicaram que o uso constante de um inseticida ou inseticidas de um mesmo grupo químico selecionam populações resistentes. Como exemplo, em uma avaliação realizada no Distrito Federal, foi constatado que era necessário uma dose de 1200 ml/100 litros de água de deltametrina para matar 90% população de traça do tomateiro, enquanto que a dose recomendada do produto, de 30 ml/100 litros de água, matava apenas 5% das larvas.
# Novidades para o manejo da traça-do-tomateiro
a) Rotação de inseticidas de grupos químicos diferentes (por exemplo, fosforado, piretróide, carbamato ou outro qualquer indicado), visando retardar a seleção de populações resistentes do inseto. Num programa de rotação de inseticidas, cada inseticida deve ser utilizado por um período de 28 dias (4 semanas) para cobrir aproximadamente uma geração da praga.
Inseticidas piretróides e fosforados devem ser utilizados, preferencialmente, no período da manhã, quando ocorre a menor atividade de adultos. Com isso, a seleção de populações resistentes ocorrerá apenas em um estádio de vida do inseto, isto é, na fase larval. Deve-se evitar o objetivo de atingir os adultos.
Para verificar os produtos registrados no MAPA para "Tuta absoluta" na cultura do Tomate, faça uma
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b) controle biológico, com o parasitóide "Trichogramma pretiosum" em liberações semanais na lavoura, associada a aplicações, em rotação, do inseticida biológico "Bacillus thuringiensis" subespécie "thuringiensis" ou subespécie "aizawai" ou de inseticidas com alta seletividade com relação ao parasitóide, como os reguladores de crescimento Chlorfluazuron, Diflubenzuron, Teflubenzuron, Tebufenozide e Triflumuron.
Essa técnica tem assegurado o controle eficiente e com menor custo, obtendo-se produções com menos de 2% de frutos danificados. Além do mais, o emprego do controle biológico tem o potencial de reduzir os danos ambientais como contaminação da água de rios e córregos e mortalidade de peixes, aves e microorganismos. Quando se utiliza o controle biológico, recomenda-se que a primeira liberação de parasitóides ocorra assim que se constatar a presença de adultos na área.
Esta técnica, no entanto, apresenta dificuldades. A principal é a falta de laboratórios capacitados para criar e vender ovos parasitados com "T. pretiosum" para o produtor. Todavia, hoje já existem empresas especializadas que criam e comercializam este parasitóide, como a Megabio, em Uberlândia, e a Bug, em Piracicaba, dentre outras.
Autoras: Geni Litvin Villas Bôas; Marina Castelo Branco; e, Maria Alice de Medeiros - Embrapa Hortaliças.