CI

Broca-da-cana pode reduzir produtividade e teor de açúcar

Ataque da praga durante a maturação pode reduzir o peso dos colmos


Foto: Canva

Ataque da praga durante a maturação pode reduzir o peso dos colmos, comprometer a sacarose e provocar perdas no processamento industrial.

A presença da broca-da-cana nos canaviais representa um risco para a produtividade e a qualidade da matéria-prima destinada à indústria. Durante a maturação, período em que a planta acumula açúcares nos colmos e se aproxima da colheita, os danos provocados pela praga podem reduzir o peso da cana, comprometer a recuperação de sacarose e favorecer a deterioração dos tecidos vegetais.

A principal responsável pelos ataques é a lagarta de Diatraea saccharalis, espécie que se desenvolve no interior dos colmos. O ciclo começa com a postura de ovos nas folhas pelas mariposas adultas. Após a eclosão, as pequenas lagartas se alimentam inicialmente de tecidos superficiais e, posteriormente, penetram nos colmos, onde abrem galerias e danificam as estruturas internas da planta.

Essas perfurações comprometem o desenvolvimento da cana e criam condições favoráveis à entrada de fungos e bactérias. A presença desses microrganismos pode intensificar a deterioração dos colmos e provocar alterações na qualidade do caldo utilizado na produção de açúcar.

Na fase de maturação, os efeitos podem ser especialmente prejudiciais. Além da perda de peso dos colmos, a infestação está associada à redução do açúcar total recuperável (ATR), indicador relacionado à quantidade de açúcar que pode ser obtida da matéria-prima. Os danos também podem provocar aumento dos açúcares redutores e maior formação de melaço e espuma durante o processamento industrial.

Com isso, os prejuízos não ficam restritos à quantidade de cana colhida. A redução da qualidade tecnológica pode afetar o aproveitamento industrial, mesmo quando a lavoura mantém parte de seu volume produtivo.

Outro problema é a quebra de colmos, que pode ocorrer em plantas com galerias internas, especialmente sob a ação do vento ou durante as operações de colheita. A infestação também pode provocar diferenças no processo de maturação, dificultando a uniformidade da matéria-prima encaminhada às usinas.

Embora os danos sejam mais evidentes na fase final do ciclo, a broca-da-cana pode estar presente durante praticamente todo o ano. A intensidade da infestação varia conforme as condições climáticas, a variedade cultivada, a idade do canavial e as práticas adotadas na área.

Por isso, o acompanhamento da praga deve começar ainda nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura. A identificação antecipada da infestação permite adotar medidas antes que as lagartas se instalem em grande quantidade no interior dos colmos, onde o controle se torna mais difícil.

O monitoramento pode ser realizado por meio da inspeção periódica de colmos em diferentes pontos dos talhões. Entre os indicadores observados estão a porcentagem de colmos atacados, a quantidade de internódios brocados e a distribuição da infestação entre as bordaduras e o interior da lavoura.

Armadilhas com feromônios ou luminosas também podem auxiliar na identificação dos períodos de maior atividade das mariposas. Essas informações contribuem para acompanhar o comportamento da população e orientar o momento das intervenções.

O registro dos níveis de infestação ao longo das safras é outra ferramenta importante. A comparação entre talhões, variedades e ciclos de corte permite identificar áreas com ocorrência recorrente da praga e direcionar as estratégias de controle.

Entre as alternativas disponíveis está o controle biológico, que utiliza inimigos naturais da broca-da-cana. Um dos exemplos é o emprego de parasitoides de ovos do gênero Trichogramma, que atuam antes da eclosão das lagartas. Outra ferramenta é Cotesia flavipes, parasitoide que ataca as lagartas e interrompe seu desenvolvimento.

A eficiência dessas estratégias depende do planejamento das liberações e do acompanhamento da infestação. O uso de inseticidas também exige atenção, já que determinados produtos podem afetar os inimigos naturais utilizados no controle biológico.

Além disso, práticas culturais podem contribuir para reduzir a permanência da praga nas áreas produtivas. Entre elas estão a renovação de soqueiras muito antigas e comprometidas, a escolha de variedades com menor suscetibilidade e o planejamento da colheita conforme o histórico de infestação dos talhões.

Em áreas com ocorrência elevada da broca, a antecipação da colheita pode ser considerada para reduzir o período de exposição dos colmos aos danos. Essa decisão, entretanto, precisa levar em conta o estágio de maturação tecnológica da cana e as condições operacionais da propriedade.

O florescimento também merece atenção. Em determinadas condições, a cana-de-açúcar pode apresentar alterações fisiológicas associadas à formação da inflorescência, com possíveis reflexos no acúmulo de sacarose. Quando essa situação ocorre em áreas com alta infestação da broca, os efeitos sobre a qualidade dos colmos podem ser agravados.

Já o controle químico deve considerar o nível de infestação, o estágio de desenvolvimento da praga e a proximidade da colheita. Como as lagartas permanecem protegidas dentro dos colmos durante parte do ciclo, intervenções tardias podem apresentar retorno limitado. A escolha de produtos e a definição das aplicações devem seguir orientação agronômica e as indicações de rótulo e bula.

A redução dos prejuízos provocados pela broca-da-cana depende, portanto, de ações distribuídas ao longo de todo o ciclo produtivo. O monitoramento contínuo, associado ao controle biológico e às demais práticas de prevenção, contribui para limitar a infestação antes da maturação, preservando o peso dos colmos e reduzindo os riscos de perdas na produção e no processamento do açúcar.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7