Setor de defensivos enfrenta incertezas para 2027
A logística também preocupa
A logística também preocupa - Foto: inpEV
O mercado de defensivos agrícolas inicia o planejamento das compras para 2027 em um cenário de incertezas envolvendo custos, abastecimento e financiamento. Segundo análise da equipe Global Crop Protection, fatores ligados à energia, logística internacional, crédito e oferta global devem continuar influenciando as negociações nos próximos meses.
No cenário externo, as tensões no Oriente Médio mantêm o petróleo e o gás natural no centro das atenções. Oscilações nesses mercados podem afetar os custos de solventes, intermediários químicos, embalagens e outros componentes utilizados na fabricação de defensivos.
Na China, principal fornecedora de defensivos genéricos ao Brasil, os preços dos produtos técnicos recuaram entre abril e agosto de 2026, diante da demanda internacional moderada e da oferta elevada. Em setembro, porém, a queda perdeu força, em meio ao aumento dos custos energéticos e às incertezas geopolíticas.
A logística também preocupa. Em setembro, o Índice de Frete de Contêineres de Xangai permaneceu acima dos níveis observados no início do ano. Congestionamentos em rotas marítimas continuam afetando os custos de transporte e os prazos de entrega.
No Brasil, juros elevados, maior seletividade na concessão de crédito e margens apertadas em algumas cadeias produtivas influenciam as compras. Embora o Plano Safra 2026/27 tenha ampliado os recursos disponíveis, o acesso ao financiamento continua sendo um desafio para o setor.
Outro ponto de atenção são as importações. Entre janeiro e julho de 2026, o volume importado de diversos defensivos ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, movimento acompanhado pelo mercado diante da evolução da demanda e dos estoques. Nesse contexto, o comportamento dos custos de energia, frete e crédito poderá influenciar a disponibilidade de produtos, os preços de reposição e as condições comerciais em 2027.