Em abril o IPCA (índice oficial que mede a inflação brasileira) rompeu o teto da meta para este ano, atingindo a 6,51% (o teto estabelecido é 6,5%, com o centro da meta ficando em 4,5% ao ano). Mesmo que tal realidade já tenha ocorrido num passado não muito distante (7,67% em 2001; 12,53% em 2002; 9,3% em 2003 e 7,6% em 2004), o problema agora decorre basicamente devido a uma pressão de demanda, sobre uma capacidade produtiva que chegou ao seu limite. Embora existam controvérsias a respeito, na medida em que uma corrente de economistas acredite que a mesma já não seja mais de demanda e sim motivada por choques de preços específicos, muitos procedentes do exterior (caso das principais commodities), o que se tem no momento é uma tensão sobre os preços que associa uma demanda aquecida, um sistema produtivo praticamente no limite, e preços internacionais especulativamente elevados. Diante disso, adiciona-se o fato de que a economia nacional aproveita-se da oportunidade para recompor suas margens de ganho, aumento os preços dos bens de consumo na origem, acima de qualquer lógica de oferta e demanda. Acrescenta-se a isso o fato do governo demonstrar, nos últimos tempos, indecisão sobre como atacar o problema, com o desenvolvimentismo do ministro Mantega se sobrepondo à capacidade do presidente do Banco Central, Sr. Tombini, em executar uma política monetária mais firme contra o problema, e o quadro geral está formado. O mesmo justifica as preocupações atuais do mercado e cidadãos.
A inflação ainda vai aumentar (II)
E o problema não termina aí. As medidas até aqui tomadas apenas deverão surtir efeito no segundo semestre, especialmente no que tange aos juros. Desta forma, a tendência é de assistirmos a um aumento da inflação nacional, pelo menos até setembro. Isso porque, entre abril e maio, os percentuais de inflação do ano passado, que sairão do cálculo anual, são muito baixos (entre junho e agosto os mesmos variam entre 0,01 e 0,04, passando por 0,00 em julho). Ora, nossa média inflacionária no primeiro quadrimestre de 2011 chega a 0,80. Assim, mesmo acreditando que tal média recue para níveis menores, tipo 0,40 nos próximos quatro meses, mesmo assim o IPCA deverá se estabelecer, de forma anualizada, entre 6,5% e 7,6% no período. Por outro lado, se o ritmo inflacionário mensal não baixar tanto, não se pode descartar uma inflação entre 6,9% a 9,6% entre maio e setembro próximos. Uma realidade que não permitirá mais ao governo tergiversar sobre o combate ao problema, sob pena de levar ao empobrecimento as classes mais pobres, retirando um bom número de pessoas da classe C (classe média) e levando-os de retorno às classes D e E. Agrava-se a situação o fato de que nesses próximos meses muitas categorias trabalhistas estarão em dissídio coletivo, o que forçará aumentos salariais importantes, além de que ainda não está descartado um aumento direto nos preços da gasolina no país. Da forma como a situação chegou, no curto prazo não há como derrubar a atual inflação sem reduzir o crescimento em 2011 e, talvez, em 2012.
A inflação ainda vai aumentar (II)
E o problema não termina aí. As medidas até aqui tomadas apenas deverão surtir efeito no segundo semestre, especialmente no que tange aos juros. Desta forma, a tendência é de assistirmos a um aumento da inflação nacional, pelo menos até setembro. Isso porque, entre abril e maio, os percentuais de inflação do ano passado, que sairão do cálculo anual, são muito baixos (entre junho e agosto os mesmos variam entre 0,01 e 0,04, passando por 0,00 em julho). Ora, nossa média inflacionária no primeiro quadrimestre de 2011 chega a 0,80. Assim, mesmo acreditando que tal média recue para níveis menores, tipo 0,40 nos próximos quatro meses, mesmo assim o IPCA deverá se estabelecer, de forma anualizada, entre 6,5% e 7,6% no período. Por outro lado, se o ritmo inflacionário mensal não baixar tanto, não se pode descartar uma inflação entre 6,9% a 9,6% entre maio e setembro próximos. Uma realidade que não permitirá mais ao governo tergiversar sobre o combate ao problema, sob pena de levar ao empobrecimento as classes mais pobres, retirando um bom número de pessoas da classe C (classe média) e levando-os de retorno às classes D e E. Agrava-se a situação o fato de que nesses próximos meses muitas categorias trabalhistas estarão em dissídio coletivo, o que forçará aumentos salariais importantes, além de que ainda não está descartado um aumento direto nos preços da gasolina no país. Da forma como a situação chegou, no curto prazo não há como derrubar a atual inflação sem reduzir o crescimento em 2011 e, talvez, em 2012.