Certa vez, assistindo a uma entrevista na TV, o jornalista perguntou ao entrevistado: "você, que é reconhecido por sua competência e muito bem remunerado por isso, o que falaria para aqueles colegas de infância que o veem hoje e não tiveram o mesmo sucesso?"
A resposta: " O que é o sucesso para você? Como você o define?"
Não me lembro de toda a conversa, mas a lógica dele era clara: se o sucesso for definido por fama e dinheiro, sim, ele era um vencedor. Mas se estivesse relacionado a estar presente em datas e comemorações familiares importantes, ajudar na criação dos filhos, tomar uma cerveja com os amigos no clube ou ir ao estádio de futebol com frequência, ele havia fracassado solenemente.
A resposta dele nos traz uma reflexão: o sucesso em uma área quase sempre se dá, fragilizando outra. O problema não é pagar o preço; é pagar o preço por algo que você nem queria de verdade, e demorar demais a se dar conta disso.
A "corrida dos ratos", popularizada no livro Pai Rico, Pai Pobre, funciona justamente porque a linha de chegada se move o tempo todo. Quando você ganha 10, quer 20. Quando vira gerente, quer virar diretor. Se você não definir o que é "suficiente", o sistema define por você — e o "suficiente" dele é cada vez mais.
O verdadeiro fracasso não é não conseguir atingir o topo da montanha; é passar a vida inteira escalando a montanha errada.
Um forte abraço.