Durante décadas, a fixação biológica de nitrogênio foi privilégio das leguminosas. Soja, feijão, amendoim - culturas que formam nódulos com bactérias capazes de fixar o nitrogênio do ar. Milho e cana ficavam de fora, porque dependiam de ureia, de fertilizantes sintéticos, de nitrogênio industrial.
Isso começou a mudar com o avanço expressivo do Azospirillum brasilense, um inoculante que já se consolidou no Brasil. A bactéria coloniza raízes, promove crescimento e aumenta a eficiência do sistema produtivo.
Mas a novidade que avança é a fixação por outros microrganismos-elite endofíticos e com alta estabilidade na fixação biológica na rizosfera e na filosfera (nas folhas).
A BIOTROP por exemplo vem desenvolvendo há anos um complexo de Bacillus spp. capaz de fixar nitrogênio em condições diversas e com alta estabilidade de resposta. É ciência de ponta combinando dados de isótopos marcados, perfil enzimático, ativação gênica e resposta agronômica. Demonstrando de forma contundente que há fixação do nitrogênio atmosférico e não apenas melhor aproveitamento do que já estava presente. É aporte de N novo no sistema!
O impacto econômico é direto, especialmente em épocas de instabilidade geopolítica. O Brasil consome milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados por ano, grande parte importada. Reduzir essa dependência significa reduzir custo, reduzir exposição cambial, reduzir volatilidade. A FBN em gramíneas não é curiosidade científica, é estratégia de competitividade.
A revolução da fixação biológica de nitrogênio em milho e cana já começou e quem adotar primeiro, colhe primeiro.
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Referências
1. Embrapa. "Fixação Biológica de Nitrogênio." Estratégias inovadoras para incremento da eficiência do processo de FBN.
2. Embrapa. "FBN reduz em até 16% doenças foliares da cana-de-açúcar." Benefício adicional da inoculação documentado.
3. Revista Canavieiros. "O avanço do uso de inoculantes para cana-de-açúcar desenvolvidos pela Embrapa." Redução do uso de fertilizantes via FBN.