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Beef on Dairy na prática:estratégias e resultados econômicos


Guilherme Augusto Vieira

Vantagens da comercialização dos bezerros B on D em relação aos bezerros leiteiros puros

 

Guilherme Augusto Vieira[1]

 

Na continuação da nossa série sobre Beef on Dairy, exploramos as estratégias de produção essenciais para essa categoria. Por apresentarem maior peso ao nascer e elevado potencial de crescimento, esses bezerros demandam um manejo nutricional e sanitário sob medida.

O artigo destaca ainda a atratividade econômica do sistema, gerando novas fontes de receita para a pecuária leiteira e entregando ao setor de corte um produto de alta performance e rápido ganho de peso.

Como já mencionado, a adoção do Beef on Dairy requer planejamento estratégico: seleção genética direcionada (sem acasalamentos aleatórios) e rigor nos manejos nutricional e sanitário.

Quanto a escolha do cruzamento dos animais deve-se adotar os seguintes critérios:

Matrizes: Como o foco do negócio é a pecuária leiteira, é essencial garantir a reposição de animais de alto valor genético. Para isso, selecionam-se primeiro as vacas superiores ("top de linha") com base em testes genômicos e índices produtivos. Esses animais são acasalados com sêmen sexado de fêmea, assegurando a renovação contínua do rebanho leiteiro.

Já para a produção de Beef on Dairy, são destinadas as matrizes de média e baixa produtividade. Um ponto crítico nessa escolha é o porte do animal: deve-se evitar matrizes de menor peso e estatura a fim de prevenir problemas de distocia no parto.

Critérios de seleção do touro de corte: A definição do touro requer atenção a indicadores-chave de desempenho: peso na desmama, desempenho superior na fase de recria, velocidade de ganho de peso e eficiência de conversão alimentar nos sistemas intensivos (confinamento e terminação/recria a pasto).

Como resultado, os bezerros cruzados (Beef on Dairy) entregam excelente musculatura, boa conformação e acabamento de carcaça, garantindo o rendimento exigido pela indústria frigorífica.

As raças escolhidas são: Angus, Nelore, Canchim, Brangus e Senepol. Atualmente as associações de produtores das raças Angus e Canchim apresentam programas específicos para a produção B on D.  

Quanto ao manejo e desenvolvimento dos bezerros algumas questões devem ser pontuadas:

Manejo neonatal e aleitamento: O bezerro Beef on Dairy exige o mesmo rigor de qualquer outro recém-nascido, o que inclui a correta cura do umbigo e o fornecimento de colostro de qualidade nos primeiros dias de vida. Após a separação da vaca — conforme a rotina da propriedade —, o aleitamento pode ser feito com leite da própria fazenda (atentando-se ao uso de leite de descarte, que não deve conter resíduos críticos de antibióticos) ou com sucedâneos lácteos de boa qualidade, em volume suficiente para atender às exigências nutricionais da categoria.

Durante toda a fase de cria, é fundamental seguir o calendário zooprofilático da fazenda, mantendo rigor no cronograma de vacinações e vermifugações.

Fases de Recria e Terminação: Como destacado anteriormente, esses bezerros demandam um manejo nutricional e sanitário diferenciado para expressar todo o seu potencial genético. Devido a esse alto teto produtivo, recomenda-se a adoção da Recria Intensiva a Pasto (RIP)[2], sistema que alia um protocolo sanitário rigoroso à suplementação estratégica para acelerar o desenvolvimento nessa etapa.

Na fase de terminação, mantendo o mesmo padrão de exigência e desempenho, indica-se a utilização de sistemas intensivos como o semiconfinamento, a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) ou o confinamento tradicional.

A adoção da estratégia Beef on Dairy traz impactos econômicos significativos para a atividade leiteira, dos quais ressaltam-se:

Nova Fonte de Receita: Transforma o macho do rebanho — que antes era um gargalo ou déficit — em uma "segunda safra" rentável para a propriedade rural, comercializando o produto com valores diferenciados.

Diversificação de Risco: Reduz a dependência exclusiva da venda do leite. Em períodos de queda no preço do leite, a comercialização dos bezerros cruzados ajuda a equilibrar o caixa da fazenda.

Em suma, a produção de Beef on Dairy exige rigor técnico e adoção de critérios bem definidos em todas as suas etapas. Quando bem executada, a estratégia revela-se altamente atraente sob o ponto de vista econômico para o produtor de leite, ao mesmo tempo em que disponibiliza ao mercado bezerros de excelente qualidade para as fases de recria e terminação na pecuária de corte.

O Beef on Dayry será o futuro do cruzamento industrial? Só o tempo dirá.

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[1] Médico Veterinário, Doutor em História das Ciências, autor dos Manuais Semiconfinamento e Confinamento, atualmente é gestor da Plataforma www.semiconfinamento.com.br Conteudista do Giro do Boi Canal Rural , Programa Rota do Agro ParaísoFM, escreve no Agrolink, Folha Agrícola e O Presente Rural.  Contatos com o autor: [email protected] ou Instagram@gvieiraoficial

 

[2] O Autor possui obra (livro) sobre a produção RIP, disponível em www.semiconfinamento.com.br

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