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Conheça o seu gado, mas também o seu cliente


FLAVIA MACEDO

Durante muito tempo, comunicar no agro significava estar presente em feiras, revistas, programas de TV e, mais recentemente, nos portais de notícias especializados. Mas o palco mudou e hoje, grande parte dessa conversa acontece nas redes sociais. É lá que produtores, técnicos, empresas e consumidores se encontram, trocam informações e formam opiniões. Só que, para ocupar esse novo palco com relevância, não basta sair postando. O primeiro passo é entender com quem você está falando.

No marketing digital, essa é a base de tudo. Antes de pensar no formato, se será um vídeo, um carrossel ou um podcast, é preciso conhecer o público: quem é, o que ele quer, onde está e como prefere se informar. Sem isso, qualquer estratégia vira tiro no escuro. Ainda fazendo trocadilhos, que eu adoro, a estratégia no conteúdo digital é o berrante guiado o caminho do gado. 

E dentro do agro, esse público é muito diverso. Um produtor rural busca dicas práticas e soluções que impactem diretamente sua produtividade. Um consumidor urbano quer entender de onde vem o alimento que chega à mesa e como ele é produzido. Já um investidor se interessa por dados de mercado, previsibilidade e sustentabilidade. Técnicos e pesquisadores valorizam rigor, evidências e embasamento científico. O mesmo tema pode interessar a todos, mas a forma de comunicar precisa se adaptar a cada um deles.

Entender esse público não exige ferramentas complexas. Dá para começar com o que você já tem nas mãos:

  • Enquetes e perguntas nos stories do Instagram, que mostram o que o público quer saber;
  • Grupos de WhatsApp, onde o diálogo é direto e espontâneo;
  • Relatórios e pesquisas setoriais, que ajudam a enxergar tendências e mudanças de comportamento.

Esses pequenos levantamentos revelam algo essencial: comunicação é escuta ativa. Quando você entende o que o público valoriza, fica muito mais fácil transformar o seu conhecimento em conteúdo que faz sentido para ele.

E a linguagem é parte fundamental disso. O mesmo assunto, por exemplo, agricultura regenerativa, pode ser explicado com dados técnicos no LinkedIn, com histórias inspiradoras no Instagram, com uma analogia simples no TikTok ou ainda com dados e muita calma no Youtube. Cada canal tem seu ritmo, seu público e sua “gramática”.

Por isso, o primeiro passo no digital não é falar, é ouvir. Só assim a comunicação deixa de ser um monólogo e vira um diálogo. E digo mais: são nesses diálogos que nascem as conexões reais.

E que tal entender quais são os formatos de conteúdo que mais funcionam no agro? Mas isso é assunto para a próxima coluna. Te espero aqui!

Mini bio
Flávia Macedo
é jornalista especializada em agronegócio e marketing digital, com mais de dez anos de experiência em comunicação no setor. Fundadora do perfil Flá do Agro, atua como comunicadora e estrategista em mkt digital, mostrando como criatividade e posicionamento podem gerar valor e vendas para o agronegócio. Foi âncora e repórter do Canal Rural e atuou também como repórter especializada da Revista Forbes (Forbes Agro). Atualmente é repórter correspondente na região Sudeste para o Portal Agrolink.

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