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Por Que os Biológicos Continuarão Crescendo


Jonas Hipólito

Quem olha para o mercado de biológicos no Brasil e vê um setor maduro perde a visão do todo. Estamos diante de um oceano que só começamos a navegar. 

O crescimento dos biológicos nos últimos anos impressiona e atraiu muitos entrantes. Por razões óbvias, o segmento não passa ileso aos desafios do agro - crédito mais caro, queda na rentabilidade agrícola, pressão de produtos químicos pós-patente - e tem sofrido uma desaceleração. Em 2025, o mercado brasileiro de biológicos alcançou R$ 6,2 bilhões, crescimento de 15% sobre o ano anterior, ritmo mais moderado que nos anos anteriores. 

Mas na essência há uma verdade simples: a base de usuários ainda é pequena. Dados da McKinsey indicam que cerca de 55% das propriedades rurais no Brasil utilizam algum tipo de controle biológico. Parece muito, mas a maioria ainda não adotou biológicos de forma sistemática. Para eles, o mercado é novo. Não é disputa de market share, é criação de mercado. 

Essa é a primeira alavanca de crescimento: mais agricultores. 

A segunda alavanca é a intensidade de uso.

Dos produtores que já adotaram, a maioria usa uma ou duas tecnologias. Poderiam usar três, quatro, cinco.

Quem trata sementes com inoculante pode adicionar um bionematicida.

Quem controla lagartas com Bt pode incluir novas gerações de produtos.

O produtor que entrou no mundo biológico é o primeiro candidato a expandir seu programa. 

O potencial é enorme e ainda está largamente inexplorado. 

A terceira alavanca é a expansão para novas culturas e regiões. Hoje, 62% do uso de bioinsumos no Brasil está concentrado na soja. Milho responde por 22%, cana-de-açúcar por 10%. Algodão, café, citrus e hortifruti dividem os 6% restantes. Tecnologias validadas em soja podem migrar para todas essas culturas. O mesmo ativo, aplicado em novos sistemas. O mesmo agricultor, cobrindo mais hectares. 

A conta não é complexa: se dobrarmos a base de usuários e dobrarmos a intensidade de uso por usuário, o mercado quadruplica. Pode haver uma pressão em preços, o que também é natural dada a nova escala, ainda assim o mercado vai crescer, e crescer muito. 

Mas esse crescimento não acontece sozinho. O setor precisa continuar investindo em P&D, para entregar soluções que funcionem no campo; em canais de distribuição, para ampliar o acesso; em educação técnica, para que o agricultor saiba utilizar essas tecnologias; e em qualidade, para atender aos novos padrões de entrega e à crescente complexidade dos produtos. Esse investimento não é especulação: é construção de infraestrutura de mercado.

O futuro dos biológicos é amplo, e está mais perto do que parece. 

 

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Referências 

1. CNN Brasil / CropData. "Mercado de biológicos atinge valor de mercado recorde de R$ 6,2 bilhões." Mar. 2026. Crescimento de 15% sobre o ano anterior; área tratada: 194 milhões de hectares (+28%). 

2. McKinsey & Company / Embrapa (COP29). "Brasil é líder mundial em uso de biofertilizantes e biodefensivos." Nov. 2024. Estudo de 2023: 55% das propriedades rurais utilizam algum tipo de controle biológico. 

3. CNN Brasil / CropLife Brasil. "Distribuição por cultura." Mar. 2026. Soja 62%, milho 22%, cana 10%, outros 6%. 

4. Rabobank / AgroAdvance. "Projeções para o Agronegócio em 2026." Dez. 2025. Mercado de biológicos mantém expansão, mas em ritmo mais lento, acompanhando rentabilidade agrícola. 

5. FGV Agro. "2026 e os maiores desafios do agro." Dez. 2025. Crédito agrícola mais caro; juros elevados impactam investimentos. 

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