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País bate recorde na safra de grãos


Evandro Fazendeiro de Miranda

A pecuária também cresceu: a produção de carne 67% e a de leite 33%

Estudos no âmbito da Secretaria de Política Econômica/MF indicam que o PIB da agricultura manteve seu padrão histórico de crescimento entre 1994 e 2002, com expansão média de 3,5% ao ano.

Nesse período, a produção de grãos mudou de patamar, tendo evoluído de 81 milhões para 100 milhões de toneladas, com expansão de 25%. Para a temporada 2002/03, prevê-se uma safra de 107 milhões de toneladas: um novo recorde. A pecuária também registrou crescimento, tendo a produção de carne e leite avançado 67% e 33%, respectivamente.

O padrão de crescimento da agricultura tem decorrido do aumento da produtividade: cerca de 69% no período 1990/02. Esses ganhos de produtividade têm sido repassados aos preços dos alimentos: enquanto o INPC registrou alta de cerca de 120% (de jul/94 a jun/02), a variação do item alimentação foi de 74%. A queda nos preços relativos dos alimentos traduziu-se em ganhos para os consumidores urbanos, beneficiando as camadas mais pobres da população.

O expressivo crescimento da produção rural é decorrência da capacidade de resposta dos agricultores e das medidas implementadas pelo governo, que envolveram quatro linhas de ações: 1) refinanciamento da dívida rural na faixa de R$ 30 bilhões; 2) lançamento de novos instrumentos: CPR, PEP e Opções; 3) redução do custo Brasil (por exemplo: prefixação dos juros do crédito rural); e 4) agricultura familiar -- 4,4 milhões de contratos com juros de no máximo 4% ao ano -- e reforma agrária (foram assentadas 547 mil famílias no período entre 1995 e 2001, onze vezes mais do que a média registrada no período entre 1964 e 1994).

Se de um lado a agricultura tem contribuído para a consolidação do real, a estabilização veio restaurar um ambiente favorável aos investimentos e maior disponibilidade de crédito. Com efeito, as vendas de máquinas agrícolas expandiram-se 153% entre 1996 e 2001. O processo de modernização da agricultura tem sido decisivo para o aumento da eficiência das cadeias agroindustriais, tornando-se inquestionável diante dos vultosos superávits comerciais gerados -- cerca de 19 bilhões em 2001.

Não obstante os progressos realizados, a logística de transporte ainda é onerosa no Brasil, residindo aí nossa grande desvantagem competitiva. A saída para transformarmos nossas potencialidades em vantagens competitivas requer o enfrentamento de um duplo desafio: continuar fazendo as reformas, o que representa reduzir ainda mais o custo Brasil -- incluindo-se aí o desenvolvimento dos projetos de infra estrutura, a conclusão das reformas na área tributária, o equacionamento do elevado custo financeiro -- e a garantia de adequado padrão de sanidade.

De outra parte, é preciso atuar no front externo, principalmente em duas direções: forçar a abertura dos mercados dos países desenvolvidos e lutar contra os pesados subsídios que distorcem o mercado internacional. Esse é o caminho para novos saltos em termos de produtividade e competitividade, de modo que a agricultura possa continuar cumprindo seu destacado papel no processo de desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

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