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Tendências 24/10/2011


Argemiro Luís Brum
Economia chinesa  freia

Os temores internacionais começam a se confirmar. A economia chinesa demonstra sinais de recuo. Essa realidade preocupa, pois vem se somar a um quadro de paralisia econômica nos EUA e na União Europeia, e a um forte recuo na economia brasileira (o PIB nacional poderá chegar a apenas 3% em 2011).

Nesse contexto, uma tendência de recessão econômica mundial, em 2012, dentro da crise mundial que o mundo enfrenta há mais de quatro anos, poderá se confirmar. Embora o PIB chinês tenha avançado um pouco no terceiro trimestre deste ano, se estabelecendo em termos anuais a 9,1%, tal performance indica que, no final do ano, ele se estabeleça abaixo dos 10,3% alcançados em 2010.

Mesmo sendo ainda um PIB extraordinário, para os padrões mundiais (US$ 5,04 trilhões entre janeiro e setembro de 2011), um recuo desta magnitude, em se tratando da China, inquieta o mercado, embora as ações do governo local caminhem neste sentido. Significa que o consumo chinês tende a diminuir num momento em que a economia do resto do mundo não reage. O problema é semelhante ao brasileiro e das demais economias emergentes: o aquecimento da economia, para sair dos impactos maiores da crise mundial, acelerou a inflação. Isso obriga o governo chinês a aumentar os juros locais.

Efetivamente, a inflação chinesa está em 6,1% anualizada, tendo crescido 0,5% em setembro diante de agosto. Somente os alimentos tiveram alta de 13,4%, enquanto os produtos não alimentícios subiram 2,9%. Por sua vez, os preços dos bens de consumo tiveram alta de 7,3% no período, e os serviços avançaram 3%.

Os preços da habitação cresceram 5,1% (cf. dados do National Bureau of Statistics – NBS). Paralelamente, a balança comercial chinesa viu seu superávit em setembro, que foi de extraordinários US$ 14,51 bilhões, recuar de 12,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. E isso que o Yuan (moeda nacional) acompanha de perto a desvalorização do dólar dos EUA. O restante do ano de 2011 será decisivo para se ter uma ideia mais clara da real freada da economia chinesa e seus efeitos sobre a combalida economia mundial.


Brasil: Superátivit Comercial se reforça

Passada a primeira quinzena de outubro, os números de nossa balança comercial indicam um reforço no superávit, estimulados agora por uma desvalorização até inesperada do Real nestes últimos 75 dias.

Assim, o saldo comercial no ano (até o dia 16/10) chega a US$ 23,91 bilhões, contra US$ 14,37 bilhões no mesmo período de 2010. O crescimento, portanto, é de 66,4%. O mesmo é resultado de exportações totais, no período, da ordem de US$ 199,8 bilhões, contra US$ 151,1 bilhões do ano anterior, o que configura um crescimento de 32,2%, diante de importações de US$ 175,9 bilhões, contra 136,7 bilhões em igual período de 2010 (um aumento de 28,7%).

Grande parte deste resultado é oriunda de produtos primários, especialmente do agronegócio. Esta performance mostra que a economia exportadora compensou o câmbio sobrevalorizado graças aos melhores preços internacionais das commodities, já que as exportações de produtos com maior valor agregado não foram da mesma importância.

Esse quadro, se é positivo por um lado, pois auxilia no balanço de transações correntes, igualmente acaba sustentando um Real ainda forte, pois traz mais dólares para a economia nacional. Pelo sim ou pelo não, o fato é que o comércio exterior brasileiro terminará 2011 surpreendendo positivamente, demonstrando que determinados setores estão conseguindo, no exterior, bem mais do que se podia imaginar, num momento em que o mercado interno, aos poucos, está freando seu consumo.


Gasolina vai subir (?)

E o governo brasileiro, que acaba de reduzir em 0,5 ponto percentual o juro básico (Selic), trazendo-o para 11,5% ao ano e indicando nova baixa da mesma magnitude para a última reunião do Copom neste ano, tem pela frente um razoável problema.

A necessária e importante redução do juro, que permite esperar que o PIB pelo menos se mantenha ao redor de 3,5% ao ano, tem como expectativa que a inflação nacional, neste final de ano, efetivamente se reduza um pouco. A ideia é que a mesma fique ao redor do teto da meta (nos últimos três meses do ano recue de 7,31% anualizada para 6,5%) e, talvez, com reais medidas de contenção das despesas públicas, se consiga trazê-la para 4,5% no próximo ano.

O problema é que, se o petróleo no mercado mundial continuar ao redor de US$ 110,00/barril, a Petrobrás não poderá mais ignorar tal situação e terá que aumentar o preço da gasolina para os brasileiros, criando um forte componente de alta de preços para o próximo ano. Isso se deve ao fato de, por falta de capacidade produtiva, a mesma ter que importar gasolina (30.000 barris por dia no primeiro semestre) para dar conta da demanda nacional, a qual vem deixando de lado o etanol, proporcionalmente mais caro e caminhando para nova escassez na próxima safra de cana de açúcar, em favor do derivado de petróleo. Se isso vier a acontecer, será difícil manter a política de baixa dos juros em 2012, salvo se o governo ignorar o objetivo de se manter na meta inflacionária.

Por outro lado, se não aumentar o preço da gasolina a Petrobrás estará subsidiando o consumidor nacional, hipotecando sua capacidade de modernização e futura competitividade num momento em que se aproxima a hora de tirar o petróleo existente no chamado pré-sal.
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