Armazenagem correta reduz prejuízos no algodão
Cuidados com fardos preservam valor da pluma
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O manejo pós-colheita do algodão reúne as operações realizadas entre a retirada do produto do campo e a entrega dos fardos à indústria, incluindo transporte do algodão em caroço até a algodoeira, beneficiamento, formação, movimentação e armazenagem dos fardos. De acordo com o material, falhas nesse processo podem provocar perdas de peso, redução da classificação da pluma, escurecimento, aumento de impurezas e desvalorização comercial, principalmente entre junho e novembro.
Nesse intervalo entre a colheita e a comercialização, o algodão fica exposto a riscos relacionados à umidade, aquecimento, compactação inadequada, ataque de fungos e contaminação por materiais como plásticos, cordas, pedaços de madeira, graxa e solo. Embora o clima mais seco observado em diversas regiões ajude a reduzir esses problemas, o texto destaca que isso não elimina os riscos, especialmente em casos de armazenagem prolongada ou de ventilação insuficiente nos galpões.
O documento explica que o objetivo do manejo pós-colheita é manter a pluma o mais próxima possível das condições ideais observadas no momento da colheita, evitando perdas por secagem excessiva, excesso de umidade, escurecimento e contaminações. Para isso, recomenda a regulagem adequada da colhedora e da algodoeira, o planejamento da movimentação e da estocagem dos fardos e a adoção de boas práticas de limpeza e controle da umidade nos armazéns.
O teor de umidade é apontado como um dos fatores mais importantes na fase pós-colheita. Segundo o texto, quando o algodão em caroço chega à algodoeira com umidade elevada, aumenta o risco de aquecimento, desenvolvimento de fungos e escurecimento da pluma. Já o algodão excessivamente seco pode favorecer a quebra das fibras e provocar perda de peso comercial.
Na prática, o material orienta que o algodão seja encaminhado para a algodoeira logo após a colheita, reduzindo o tempo de permanência em módulos ou fardos no campo. Também recomenda evitar o armazenamento a céu aberto sem cobertura e drenagem adequadas e reforça a necessidade de observar sinais como manchas escuras, odor de mofo e aquecimento localizado, que podem indicar problemas de umidade ou compactação.
Ainda sobre a armazenagem, o documento afirma que galpões ventilados, com piso seco, limpo e livres de infiltrações, contribuem para manter a estabilidade da umidade dos fardos. Em períodos de maior amplitude térmica, como na transição entre inverno e primavera, a condensação em estruturas metálicas pode atingir fardos mal protegidos, tornando importante o isolamento do telhado e o empilhamento correto.
A regulagem da colhedora e dos equipamentos utilizados no beneficiamento também influencia diretamente as perdas de peso e a qualidade da pluma. O texto ressalta que ajustes inadequados podem aumentar a quantidade de impurezas misturadas ao algodão em caroço, exigindo maior esforço da algodoeira na limpeza e elevando o risco de quebra das fibras.
Na etapa de beneficiamento, a formação dos fardos requer atenção à pressão de compactação, ao uso de materiais apropriados para embalagem e à integridade das amarrações. Fardos excessivamente compactados e ainda úmidos apresentam maior propensão ao aquecimento interno e ao surgimento de manchas escuras, enquanto fardos pouco compactados podem sofrer deformações, absorver umidade e ficar mais suscetíveis à contaminação.
O documento recomenda manter os equipamentos de limpeza e descaroçamento regulados conforme as orientações do fabricante e da assistência técnica, ajustar a compactação para garantir estabilidade sem comprometer a ventilação mínima interna, utilizar embalagens resistentes e limpas e identificar cada fardo para permitir a rastreabilidade de lotes que eventualmente apresentem problemas de qualidade ou armazenagem.
A movimentação e o empilhamento dos fardos também exigem cuidados específicos, já que danos provocados por empilhadeiras, quedas de pilhas, rasgos nas embalagens e contato com superfícies sujas podem resultar em prejuízos. O texto orienta o uso de equipamentos adequados, operadores treinados, corredores internos para circulação, pisos limpos e secos e padrões de empilhamento que garantam estabilidade das pilhas.
Outro ponto destacado é que a altura das pilhas deve respeitar a resistência dos fardos, a estrutura do galpão e as normas de segurança. Pilhas muito altas aumentam a pressão sobre os fardos inferiores, favorecendo deformações, retenção de umidade e formação de pontos de aquecimento, além de elevar o risco de acidentes.
As contaminações por materiais estranhos aparecem entre os principais fatores de desvalorização da pluma. O texto informa que pequenos fragmentos de plástico, fitas, fios metálicos, graxa, pedaços de madeira ou solo podem comprometer lotes inteiros e, na maioria das vezes, têm origem em falhas de limpeza e organização durante as operações de carga e descarga.
Para reduzir esse risco, o material recomenda manter os galpões limpos, separar áreas destinadas à manutenção de máquinas, realizar rotinas de limpeza e inspeção visual e evitar materiais improvisados na cobertura dos fardos, que possam se romper e contaminar a pluma durante a armazenagem.
O documento também orienta controlar o acesso de animais aos armazéns, pois roedores e aves podem danificar embalagens, contaminar os fardos e transportar materiais indesejáveis para a área de estocagem. A vedação de portas, janelas e frestas, aliada ao controle integrado de pragas, é apontada como medida preventiva.
Entre junho e novembro, período em que muitos lotes permanecem armazenados aguardando beneficiamento ou comercialização, o texto reforça que o monitoramento constante é indispensável para identificar precocemente problemas de aquecimento, umidade ou contaminação.
Entre os cuidados recomendados estão inspeções periódicas nas pilhas, verificação de infiltrações e goteiras, acompanhamento da ventilação dos galpões e registro de qualquer alteração observada. Segundo o documento, essas informações auxiliam o engenheiro agrônomo ou o técnico responsável a decidir sobre a necessidade de remanejamento dos fardos, ajustes na ventilação ou antecipação do beneficiamento.
O material destaca que a decisão de intervir deve considerar a relação entre o risco de perda de qualidade e o custo da operação. Quando há sinais de aquecimento ou manchas em um conjunto de fardos, agir rapidamente tende a reduzir os danos e evitar que o problema se espalhe para outros lotes.
Como orientação final, o documento recomenda evitar longos períodos de exposição do algodão em caroço no campo, enfardar o produto em condições adequadas de umidade, utilizar embalagens específicas, armazenar os fardos em galpões secos e ventilados, movimentá-los com equipamentos apropriados, manter rotinas de limpeza, realizar inspeções frequentes e registrar as condições de entrada e saída dos lotes para facilitar a rastreabilidade e a tomada de decisão técnica.
O texto ainda ressalta que "Atenção: o uso de quaisquer produtos químicos para controle de pragas no armazém, bem como eventuais tratamentos sobre os fardos, deve sempre seguir rótulo, bula e legislação vigente, com receituário agronômico emitido por profissional habilitado." Também reforça que os parâmetros de regulagem de máquinas, controle de umidade e processos de armazenagem devem ser ajustados às condições de cada propriedade com apoio de assistência técnica, destacando que o conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um engenheiro agrônomo em campo.