CI

Como identificar a mancha angular no algodão

Chuva e calor aceleram mancha angular no algodoeiro


Foto: Canva

A combinação de calor, chuvas frequentes e umidade prolongada nas lavouras de algodão está favorecendo o avanço da mancha angular, doença bacteriana que pode causar perdas expressivas quando não é identificada logo no início do ciclo da cultura. O alerta é direcionado a produtores e agrônomos que acompanham talhões em fase de emergência e crescimento vegetativo inicial, período do ano em que as plantas ainda estão definindo seu potencial produtivo e se tornam mais vulneráveis à infecção.

A mancha angular é causada por bactérias do complexo Xanthomonas citri pv. malvacearum e depende diretamente da presença de água livre nas folhas — seja por chuva, orvalho ou irrigação por aspersão — para penetrar e colonizar os tecidos da planta. Ambientes quentes e úmidos, marcados por chuvas frequentes e orvalho prolongado, criam as condições ideais para que a bactéria se multiplique e se dissemine em curto espaço de tempo. A doença sobrevive em restos culturais, sementes infectadas e plantas voluntárias de algodão, popularmente conhecidas como tiguera, e se espalha principalmente por respingos de chuva e vento, além de máquinas, implementos e pessoas que transportam gotas contaminadas entre talhões.

O grande desafio no manejo da mancha angular está exatamente no reconhecimento precoce. De acordo com o conteúdo técnico, um dos erros mais comuns no campo é voltar a atenção para a doença somente quando a desfolha já pode ser observada a distância — fase em que o foco de infecção já está consolidado, a pressão de inóculo é alta e a eficiência de qualquer intervenção tende a ser bem menor. Por isso, a recomendação é observar folhas jovens e intermediárias com atenção redobrada logo após períodos de chuva contínua, quando a folhagem permanece molhada por várias horas seguidas.

Os primeiros sintomas costumam ser discretos e por isso são facilmente confundidos com outras manchas foliares comuns na cultura, como ramulária, mancha alvo e antracnose. Nas fases iniciais, as lesões da mancha angular aparecem como pequenas áreas encharcadas, de coloração verde-escura e aspecto quase translúcido, sobretudo na face inferior da folha. Com o tempo, essas manchas passam a apresentar contorno bem definido, limitado pelas nervuras secundárias — característica que dá à lesão o formato angular ou poligonal que nomeia a doença. Em algumas folhas jovens, é possível notar ainda um fino halo amarelado ao redor das lesões, sinal de que a planta já está reagindo à presença do patógeno.

A diferenciação em relação às doenças fúngicas passa por três critérios principais: o formato da lesão, já que a mancha angular tem bordas retas ligadas às nervuras, enquanto doenças como ramulária e mancha alvo apresentam contornos arredondados ou concêntricos; a textura inicial, com aspecto encharcado e úmido típico das bacterioses, diferente do padrão seco das manchas fúngicas desde o início; e a distribuição no talhão, já que a mancha angular costuma surgir primeiro em reboleiras associadas a fontes de inóculo, como restos de cultura e pontos de acúmulo de água, espalhando-se rapidamente após chuvas intensas.

Quando o diagnóstico visual gera dúvida, a orientação é coletar folhas com sintomas iniciais, acondicioná-las em saco de papel e enviá-las a um laboratório de fitopatologia para confirmação — principalmente em áreas onde a decisão de manejo envolve investimento em produtos específicos.

O monitoramento sistemático é apontado como a principal ferramenta para transformar a identificação precoce em decisão de manejo eficiente. A estratégia recomendada envolve caminhamentos em zigue-zague pelo talhão, com atenção especial a bordaduras, baixadas, áreas de emergência falha e locais com maior acúmulo de restos de safras anteriores. Em cada ponto de avaliação, o ideal é observar entre 10 e 20 plantas consecutivas, registrando a presença de lesões, a idade das folhas afetadas e a intensidade dos sintomas. Em períodos de maior risco — com chuvas frequentes, calor e dossel fechado —, a vistoria deve ser semanal ou ainda mais frequente em áreas com histórico da doença.

Para interpretar esses dados e decidir o momento de agir, não basta observar um único momento: é preciso comparar registros entre semanas para identificar se a doença está estável, em expansão lenta ou em expansão rápida. O estágio da cultura também pesa na decisão, já que plantas em fase reprodutiva sofrem impacto mais direto da perda de área foliar sobre o enchimento de maçãs e a qualidade da fibra, enquanto plantas em estágio inicial têm maior capacidade de compensar danos, ainda que sejam mais vulneráveis à perda relativa de área foliar. Talhões com histórico de mancha angular severa merecem atenção redobrada, já que tendem a manter inóculo nos restos culturais mesmo após a troca de safra.

As informações meteorológicas entram como peça-chave nesse processo de antecipação. Previsões de novos períodos chuvosos combinados com temperaturas elevadas indicam maior risco de expansão da doença, o que pode antecipar decisões de manejo, incluindo ajustes na irrigação por aspersão nas áreas em que essa tecnologia é utilizada.

 

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7