CNA debate acordo Mercosul-Canadá para o agro brasileiro
Brasil e Canadá discutem acordo comercial focado no agro e em fertilizantes
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recebeu, na terça (28), o negociador-chefe do Acordo de livre comércio Mercosul-Canadá, Aron Folker, para discutir os termos da parceria comercial com foco em produtos do agro brasileiro.
O vice-presidente da CNA, Marcelo Bertoni, e a diretora de Relações Internacionais, Sueme Mori, destacaram o interesse da instituição em debater a pauta, para criar oportunidades e acesso a um mercado de produtos com valor agregado e aumento da troca comercial.
Sueme avaliou que, considerando o perfil produtivo dos países, o acordo será benéfico para todos. "O acordo significará uma melhoria de acesso para os dois lados, tanto em bens quanto em investimentos. O Canadá é um parceiro importante para o Brasil, mas, claramente, a gente tem muito a caminhar ainda."
Aron Folker explicou que o Canadá tem interesse em concluir rapidamente as negociações, porém, tem uma preocupação com acesso ao mercado canadense para açúcar, carne bovina e frango, (que possui legislação doméstica que restringe as negociações de preferências tarifárias).
Segundo ele, é um momento bastante adequado para avançar com as negociações. "Temos uma rodada essa semana no Brasil e outra prevista para o final de maio no Canadá, onde poderíamos chegar a um acordo, no entanto, são necessárias soluções criativas para acomodar os principais interesses comerciais dos dois lados".
O negociador reforçou que o governo do seu país quer fechar seis acordos comerciais até o final de 2026 e o acordo com o Mercosul deve ser o primeiro a sair.
A diretora da CNA, Sueme Mori, destacou que o posicionamento da instituição em relação ao Canadá é o mesmo para outros acordos comerciais como União Europeia e Coreia do Sul: favorável desde que o país permita acesso do setor agropecuário como um todo.
Fertilizantes - Segundo Sueme, o Brasil tem grande interesse na parceria com o Canadá, principalmente em relação à cooperação para desenvolvimento da cadeia de fertilizantes.
"Hoje o Brasil depende mais de 90% de fertilizantes importados e ao ampliarmos essa parceria poderemos trabalhar conjuntamente para aumentar a produção nacional e a segurança na oferta de insumos estratégicos para nossos produtores".
O vice-presidente, Marcelo Bertoni, reforçou que a abertura de novas rotas comerciais com a construção da Bioceânica que ligará o Centro-Oeste brasileiro, a partir de Mato Grosso do Sul, aos portos do Chile, poderá facilitar também o comércio com países da América do Norte.
"Existe confiança e estabilidade na relação comercial com Canadá e a CNA está empenhada para que esse acordo fique bom para os dois lados", afirmou.
Além dos fertilizantes, a CNA sinalizou interesse na cooperação com o país norte-americano em relação à transferência de tecnologia e inovação para o campo brasileiro e a abertura de mercado para cadeias produtivas com maior valor agregado como mel, cafés especiais, frutas, castanhas e pulses.
Também participaram da reunião a diretora adjunta de Relações Internacionais, Fernanda Maciel, e o coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses, Felipe Spaniol.