Florescimento pode influenciar momento de colher a cana
ATR, pureza e condições do canavial ajudam a definir a melhor janela de corte
Foto: Canva
O momento da colheita da cana-de-açúcar deve considerar não apenas o calendário da safra, mas também o estágio de maturação da planta. Entre os pontos de atenção está o florescimento, conhecido no campo pela emissão da "flecha", que pode ocorrer próximo ao período de maior acúmulo de açúcar nos colmos. Com o avanço do florescimento, parte das reservas da planta pode ser direcionada para a formação da inflorescência. Em algumas variedades, esse processo pode estar associado à redução do teor de sacarose, aumento da fibra e maior risco de acamamento e quebra dos colmos.
Para definir o momento de corte, o material recomenda acompanhar indicadores como ATR, Brix, Pol e pureza do caldo. O ATR representa os Açúcares Totais Recuperáveis e é um dos principais parâmetros para acompanhar a maturação da cana.
O florescimento, porém, não significa que a área precise ser colhida imediatamente. Se os indicadores tecnológicos ainda estiverem aumentando, a colheita pode não precisar ser antecipada. Já em um canavial maduro com florescimento intenso e prolongado, o atraso pode aumentar o risco de perda de qualidade.
Também devem ser observados sinais como envelhecimento dos colmos, aumento de fibra, rachaduras, brotações laterais e risco de acamamento. A recomendação é combinar essas informações com o histórico da variedade, idade do canavial e capacidade de colheita e transporte.
Assim, a escolha da janela de colheita deve ser feita a partir do conjunto das condições da lavoura, e não apenas pela presença de florescimento. O acompanhamento ao longo da safra ajuda a identificar o período em que a cana apresenta melhor condição tecnológica para o corte.