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Mato Grosso aposta no cacau para diversificar a renda rural

Assistência técnica impulsiona expansão do cacau em Mato Grosso


Foto: Divulgação

A produção de cacau começa a ganhar espaço em Mato Grosso como alternativa de diversificação da produção e da renda rural. Embora a atividade ainda esteja concentrada no noroeste do Estado, iniciativas de pesquisa, assistência técnica, capacitação e organização produtiva estimulam novos plantios em outras regiões.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que Mato Grosso produziu 471 toneladas de cacau em 2022, em uma área de 724 hectares. Levantamentos anteriores também registraram a cultura em diferentes municípios, enquanto iniciativas recentes indicam a expansão de viveiros, jardins clonais e áreas plantadas.

Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes estão entre os principais polos da cacauicultura mato-grossense. Ao mesmo tempo, novos projetos avançam em Santo Antônio do Leverger, Campo Verde, Nobres, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Alto Paraguai e Tangará da Serra.

Para o diretor de Projetos da Federação dos Agricultores Familiares de Mato Grosso (Fedaf MT), coronel Paulo Selva, a cultura apresenta potencial econômico e produtivo no Estado, especialmente diante da demanda interna por matéria-prima. “A cultura do cacau apresenta excelente rentabilidade e existe um mercado consumidor interno que necessita de matéria-prima. O Brasil ainda precisa importar cacau para atender à demanda por amêndoas. Isso demonstra que existe espaço para novos produtores”, explica.

Segundo Paulo Selva, a disponibilidade de variedades desenvolvidas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) também favorece a expansão da cultura. Os materiais permitem estudar variedades mais adaptadas às diferentes condições de clima e solo encontradas em Mato Grosso.

A cacauicultura apresenta ainda características que podem favorecer a agricultura familiar. Por ser uma cultura perene, o cultivo pode permanecer produtivo por décadas e ser integrado a outras atividades desenvolvidas na propriedade. “É uma cultura que pode permanecer produtiva por muitos anos. Ela exige manejo constante, conhecimento técnico e planejamento, mas pode ser perfeitamente integrada a outras atividades desenvolvidas pelo agricultor familiar”, destaca Paulo Selva.

Antes de investir na cultura, o produtor precisa conhecer as características da atividade e elaborar um planejamento técnico e financeiro. A escolha dos clones, a preparação da área, a fertilidade do solo e a irrigação estão entre os fatores que influenciam o desempenho da lavoura. O manejo de pragas e doenças, as podas, a colheita, a fermentação e a secagem também interferem diretamente no resultado da produção.

Nesse processo, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) atua no acompanhamento dos produtores dentro das propriedades. O trabalho envolve orientação individualizada, acompanhamento dos indicadores, melhoria da produtividade, controle de custos, planejamento e gestão da atividade.

Atualmente, segundo informações do Senar MT, a ATeG atende 31 produtores de cacau na região Norte de Mato Grosso, com foco no incentivo à produção sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar.

Para Cristiani Bernini, supervisora da ATeG Fruticultura e Olericultura do Senar MT, o acompanhamento técnico é necessário para que a expansão da atividade seja acompanhada por eficiência produtiva e gestão. “A cacauicultura tem potencial para se tornar uma importante alternativa de diversificação de renda para a agricultura familiar em Mato Grosso. Mas, para isso, é fundamental que o produtor tenha acesso a conhecimento, planejamento e acompanhamento técnico. A ATeG trabalha justamente para transformar esse conhecimento em resultados dentro da propriedade, acompanhando desde o manejo da lavoura até os custos, a produtividade e a rentabilidade”, afirma.

Segundo Cristiani, o objetivo não se limita ao aumento da produção. “Ajudamos o produtor a produzir com eficiência, rentabilidade e sustentabilidade. A nossa função é contribuir para que ele tome decisões mais seguras, conheça os custos da atividade e consiga enxergar o cacau como um negócio dentro da propriedade”, completa.

A diversificação também pode ocorrer após a colheita. O produtor pode ir além da comercialização das amêndoas, seja por meio do processamento na própria propriedade ou pela integração com agroindústrias. A polpa pode ser utilizada na fabricação de sorvetes, geleias, doces e bebidas. O mel do cacau pode ser aproveitado em sucos e licores. Já as amêndoas podem originar nibs, cacau em pó e chocolate. A manteiga de cacau, por sua vez, possui aplicações nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica.

Até mesmo subprodutos, como as cascas do fruto e das amêndoas, podem ser aproveitados na elaboração de compostos orgânicos, biofertilizantes e bebidas. A possibilidade de agregar valor amplia as oportunidades para a agricultura familiar e cria novos elos entre a produção rural e a agroindústria.

O público poderá conhecer mais sobre a cadeia do cacau durante o 8º Festival do Chocolate de Cuiabá, marcado para os dias 28, 29 e 30 de agosto, na Arena Pantanal, das 16h às 23h.

O Senar MT levará ao evento ações voltadas à valorização da produção rural e à aproximação entre produtores, consumidores e mercado. Entre as atrações está a Trilha do Saber e Sabor, criada para apresentar ao público as diferentes etapas da cadeia, da produção do cacau à transformação da amêndoa em chocolate.

Os visitantes poderão conhecer o fruto, as amêndoas, os nibs e equipamentos utilizados no processamento, além de acompanhar demonstrações e participar de degustações.

Antes de chegar ao chocolate, o cacau passa por etapas como colheita, quebra, fermentação e secagem. Cada uma delas influencia a qualidade final das amêndoas e, consequentemente, do chocolate. A proposta é mostrar que a produção de chocolate começa antes da indústria, ainda na propriedade rural, com a escolha da variedade, o manejo da lavoura e os cuidados adotados pelo produtor.

O Senar MT também participará da Feira Natural do Campo, espaço destinado à comercialização e divulgação de produtos da agricultura familiar. A iniciativa busca aproximar produtores e consumidores, valorizar produtos locais e mostrar que a assistência técnica pode resultar não apenas em maior produtividade, mas também em novas oportunidades de mercado.

Para Zilda Castanho, organizadora do Festival do Chocolate, a sustentabilidade do evento deve considerar aspectos ambientais, sociais, culturais e econômicos. “A sustentabilidade não deve olhar apenas para os impactos ambientais da realização do evento, mas também para as pessoas, para a cultura e para a economia do território onde ele acontece”, destaca. No estande do Sistema Famato, além da Trilha do Saber e Sabor, estarão a Carreta dos Pequenos do Agro, com personagens e palestras teatralizadas, e o Mutirão Rural, com atendimentos odontológicos, de enfermagem e oftalmológicos.

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