Análise revela mudanças no mercado de commodities
No trigo, os problemas logísticos no Mar Negro continuam limitando as exportações
No trigo, os problemas logísticos no Mar Negro continuam limitando as exportações - Foto: Canva
O mercado internacional de commodities agrícolas enfrenta mudanças nas perspectivas de produção, estoques e comércio, com impactos sobre os preços de grãos e açúcar. Segundo análise do Rabobank, revisões nas estimativas dos Estados Unidos, dificuldades logísticas no Mar Negro e chuvas no Brasil estão entre os principais fatores de atenção.
No milho, o relatório de outubro do USDA surpreendeu ao elevar a produtividade norte-americana de 178,5 para 181,2 bushels por acre, contrariando expectativas de redução para 177,8. Com isso, os estoques finais projetados passaram de 1,567 bilhão para 1,849 bilhão de bushels, enquanto a relação entre estoques e consumo subiu de 9,7% para 11,3%.
A revisão pressionou as cotações em Chicago. Desde o final de setembro, os contratos de milho para dezembro de 2026 acumulam perdas próximas de 8%, equivalentes a 40 centavos de dólar por bushel.
No trigo, os problemas logísticos no Mar Negro continuam limitando as exportações. O USDA reduziu de 43 milhões para 40 milhões de toneladas sua projeção de embarques russos, contra 48 milhões na temporada anterior. O Rabobank considera possíveis novos cortes diante das dificuldades para um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia.
No açúcar, as chuvas excessivas no Centro-Sul brasileiro aumentam as estimativas de cana que ficará sem colher em 2026. A situação pode restringir a oferta global na entressafra brasileira, mas também pressionar os preços no segundo semestre de 2027. Na Índia, o balanço mais apertado de oferta e demanda indica possibilidade de importações no próximo ano.