Biofertilizante reforça eficiência da adubação nas lavouras
Produtividade pode crescer com melhor uso dos nutrientes
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Diante do aumento dos custos dos fertilizantes importados e da necessidade de maior eficiência nutricional nas lavouras, uma nova tecnologia voltada ao enchimento de grãos, frutos e órgãos de reserva chega ao mercado com a proposta de ampliar o aproveitamento dos nutrientes já aplicados. Segundo a desenvolvedora, a solução apresentou ganhos de produtividade de até 42,6% no trigo e 42% na batata, além de resultados positivos em culturas como soja, arroz, feijão e cana-de-açúcar.
Desenvolvido pela Agrocete, multinacional brasileira especializada em adjuvantes, fisiológicos, biológicos e nutrição vegetal, o Grap Max Mass é um produto para aplicação foliar que combina nutrientes essenciais e um biofertilizante obtido por hidrólise enzimática. A empresa afirma que a tecnologia favorece a eficiência nutricional durante a fase reprodutiva das culturas, contribuindo para o transporte de fotoassimilados das folhas para os grãos e frutos.
O lançamento ocorre em um momento em que o setor agrícola busca reduzir a dependência dos fertilizantes importados. De acordo com a empresa, cerca de 88% dos fertilizantes consumidos no Brasil são adquiridos no mercado externo, tornando o país vulnerável às oscilações internacionais de preços e oferta.
Segundo Andrea de Figueiredo Giroldo, diretora de Marketing e Desenvolvimento Técnico da Agrocete, o foco da tecnologia está em aumentar a eficiência do investimento já realizado na adubação. "O desafio não é aplicar mais fertilizantes, mas sim fazer com que uma parcela maior dos nutrientes já disponíveis seja efetivamente aproveitada pela planta, especialmente durante a fase de enchimento de grãos, que é o momento em que todo o investimento feito na lavoura é transportado das folhas para os grãos e frutos", afirma.
O produto possui recomendação para culturas como soja, milho, trigo, arroz, feijão, algodão, cafés, citrus, cana-de-açúcar, batata e hortaliças. As doses variam entre 300 mililitros e um litro por hectare, conforme a cultura e o manejo adotado.
Sua formulação reúne quatro macronutrientes e um biofertilizante obtido por hidrólise enzimática, processo que, segundo a Agrocete, preserva melhor os L-aminoácidos, considerados biologicamente mais ativos para os vegetais. A tecnologia foi desenvolvida para atuar na fase de enchimento de grãos, frutos e órgãos de reserva, favorecendo processos ligados ao metabolismo, à fotossíntese, ao transporte de fotoassimilados e ao aproveitamento dos nutrientes. A empresa também informa que a formulação auxilia as plantas na recuperação de estresses abióticos durante essa etapa do ciclo.
Outro diferencial apontado é a compatibilidade com a maior parte dos defensivos agrícolas utilizados nas lavouras, permitindo sua inclusão nos programas de manejo sem necessidade de operações extras de aplicação.
Andrea Giroldo ressalta que o objetivo da tecnologia não é substituir a adubação convencional, mas ampliar sua eficiência. "O principal diferencial da tecnologia está justamente na integração entre a nutrição mineral e o biofertilizante em uma única formulação desenvolvida especificamente para essa janela fisiológica. Não buscamos substituir a adubação convencional, mas aumentar a eficiência da nutrição já realizada na lavoura, ajudando a planta a aproveitar melhor os nutrientes disponíveis e potencializando o retorno do investimento do produtor", afirma Andrea.
Segundo a Agrocete, o desenvolvimento do produto levou cinco anos e envolveu as equipes de Pesquisa & Desenvolvimento e Desenvolvimento Técnico e de Mercado. Durante esse período, foram avaliadas 127 formulações, das quais 18 avançaram para fases mais aprofundadas de validação. Os estudos geraram mais de 57 mil dados técnicos e incluíram testes em diferentes regiões do Brasil, além de ensaios realizados no Uruguai, Panamá e Nicarágua.
Na soja, um dos ensaios conduzidos em Arapoti (PR) registrou incremento de 2,5 sacas por hectare em relação ao manejo padrão do produtor. Em outra avaliação, também no município paranaense, os ganhos chegaram a seis e dez sacas por hectare, equivalentes a aumentos de 8,1% e 16,4%, respectivamente. Em Gurupi (TO), o produto apresentou o maior peso de mil grãos entre as formulações avaliadas e incremento de 2,05 sacas por hectare.
No arroz, ensaios realizados em Uruguaiana (RS) apontaram aumento aproximado de 2,04 toneladas por hectare, equivalente a 15,2%. Em Lagoa da Confusão (TO), a produtividade cresceu 1,07 tonelada por hectare, ou 17%, em comparação à área sem aplicação.
No trigo, um experimento conduzido em Witmarsum (PR) registrou aumento de aproximadamente 1,29 tonelada por hectare, correspondente a 42,6%, além de maior peso de mil grãos.
Os testes também mostraram resultados em outras culturas. Na cana-de-açúcar, em Araçatuba (SP), a produtividade aumentou 12,3 toneladas por hectare, alta de 10,7%, enquanto o rendimento de açúcar cresceu 400 quilos por hectare. No feijão, em Paracatu (MG), o ganho foi de 3,93 sacas por hectare, equivalente a 11%. Já na batata, em Cristalina (GO), o peso dos tubérculos por planta aumentou 42,2% em relação à testemunha.
Para a empresa, o cenário de maior pressão sobre os custos da adubação reforça a necessidade de tecnologias capazes de elevar a eficiência do uso dos nutrientes e ampliar o retorno sobre o investimento realizado pelo produtor.