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Dependência de fertilizantes expõe importância da eficiência do solo

Brasil importa até 88% dos fertilizantes utilizados no campo, aponta estudo


Foto: Canva

A alta dependência brasileira de fertilizantes importados vem ampliando a preocupação do agronegócio com os custos de produção e a vulnerabilidade do setor diante das oscilações do mercado internacional. Um levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio aponta que o Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, volume equivalente a cerca de 88% do consumo nacional. Segundo o estudo, as importações movimentam aproximadamente US$ 25 bilhões por ano.

O cenário aumenta a exposição do setor agrícola à volatilidade cambial, aos conflitos geopolíticos e às variações nos preços internacionais dos insumos. De acordo com a análise, os fertilizantes representam uma das principais despesas da agricultura comercial brasileira, respondendo por até 40% dos custos da soja e 50% do milho.

Além da dependência externa, o estudo destaca que parte dos nutrientes aplicados nas lavouras acaba perdida por lixiviação, volatilização ou baixa absorção pelas plantas, especialmente em áreas com solos compactados e baixa capacidade de infiltração de água.

A preocupação tem levado produtores e empresas a buscarem alternativas voltadas ao aumento da eficiência agronômica e ao manejo do solo. A compactação, considerada um dos principais problemas em áreas agrícolas, reduz o desenvolvimento das raízes, dificulta a infiltração da água e limita o aproveitamento dos fertilizantes aplicados. Em períodos de estiagem, os impactos tendem a se intensificar, afetando produtividade e rentabilidade.

Segundo o levantamento, tecnologias ligadas à agricultura de precisão e soluções para ampliar a eficiência do uso de fertilizantes estão entre as estratégias consideradas mais relevantes para reduzir a vulnerabilidade do agro brasileiro.

Nesse contexto, empresas do setor de implementos agrícolas vêm ampliando investimentos em tecnologias voltadas à descompactação do solo sem revolvimento excessivo, com foco na preservação do plantio direto e no aumento da infiltração de água.

Uma das empresas que atuam nessa área é a Agross do Brasil, que desenvolveu o equipamento Vollverini, utilizado para descompactação do solo e aumento da eficiência hídrica nas lavouras. A tecnologia vem sendo aplicada em diferentes culturas, especialmente em regiões afetadas por estiagens recorrentes. Segundo a empresa, o objetivo é criar melhores condições para o desenvolvimento radicular e ampliar o aproveitamento dos nutrientes aplicados na lavoura.

A produtora rural e estudante de agronomia do IFRS-Ibirubá, Janaina Hagemann Schmidt, afirmou que os resultados observados na propriedade melhoraram após o uso da tecnologia. “Quando o solo possui uma boa estrutura, ele infiltra e armazena melhor a água da chuva, reduzindo escoamento, erosão e perdas de nutrientes. Isso faz com que o fertilizante realmente fique disponível para a planta, aumentando o rendimento e o aproveitamento do investimento feito pelo produtor. Com a descompactação promovida pela tecnologia, percebemos melhor infiltração da água, maior conservação do solo e mais eficiência no aproveitamento dos fertilizantes”, relatou.

Para o diretor da Agross do Brasil, Silmo de Ávila, melhorar as condições físicas do solo passou a ser também uma estratégia econômica dentro da propriedade rural. “Hoje o produtor não pode pensar apenas em aplicar mais fertilizante. Ele precisa aumentar a eficiência do que já utiliza. Quando o solo está compactado, a água infiltra menos, a raiz se desenvolve pior e parte dos nutrientes acaba sendo desperdiçada. Nosso foco é justamente ajudar o produtor a criar um ambiente mais favorável para que a planta consiga aproveitar melhor água e nutrientes”, afirmou.

O tema ganha espaço em um momento em que o agronegócio busca elevar a produtividade sem ampliar a área cultivada. Segundo Silmo de Ávila, práticas voltadas à saúde do solo devem ganhar importância diante dos desafios climáticos e da pressão crescente sobre os custos de produção no campo.

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