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Dólar, USDA e China ditam o rumo da soja

Dólar segura soja no Brasil, mas pressão externa acende alerta


Foto: Pixabay

Valorização cambial limitou perdas no mercado interno, enquanto projeções recordes de safra e ausência de compras chinesas pesaram em Chicago.

O mercado da soja terminou a semana em movimento dividido. No Brasil, a alta do dólar ajudou a sustentar os preços em reais. Já no exterior, a Bolsa de Chicago sentiu a pressão de uma possível oferta global maior, após o USDA projetar safras robustas para Brasil e Estados Unidos em 2026/27, segundo dados divulgados pela Grão Direto.

A valorização do dólar foi o principal fator de sustentação para a soja no mercado brasileiro. A moeda norte-americana encerrou a sexta-feira próxima de R$ 5,07, no maior patamar desde o início de abril.

Esse avanço cambial ajudou a compensar parte da queda observada nas cotações internacionais, reduzindo o impacto negativo sobre os preços em reais.

De acordo com levantamento da Grão Direto, a soja teve uma semana de forte pressão na Bolsa de Chicago. O contrato spot, com vencimento em julho de 2026, fechou a US$ 11,77 por bushel, queda de 2,40%. O movimento também afetou o índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que recuou 2,40% na semana e encerrou cotado a R$ 134,67 por saca.

Na contramão, o contrato de março de 2027 teve leve valorização de 0,67%, fechando a US$ 12,04 por bushel.

O relatório de Oferta e Demanda do USDA trouxe as primeiras estimativas para a safra 2026/27 e reforçou a percepção de oferta elevada no mercado global. A produção brasileira foi projetada em volume recorde de 186 milhões de toneladas. Para os Estados Unidos, a estimativa ficou em 120,7 milhões de toneladas.

O cenário de maior disponibilidade de soja no mundo aumentou o sentimento baixista entre os investidores em Chicago.

Outro ponto de atenção foi a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping. O encontro terminou sem anúncios relevantes de novas compras de soja norte-americana pela China. A ausência de avanços mais concretos reforçou a leitura de que os chineses devem seguir dependentes da oferta sul-americana nos próximos meses.

Para os próximos dias, o mercado deve acompanhar de perto o relatório de Crop Progress, do USDA. A semeadura da soja nos Estados Unidos avança em bom ritmo, com alguns estados-chave já superando 49% da área plantada.

Apesar disso, os mapas meteorológicos indicam risco de frio atípico em partes do Corn Belt. Caso as baixas temperaturas atrasem o plantio, os fundos podem voltar às compras e adicionar um prêmio de risco temporário às cotações em Chicago.

No Brasil, o clima segue como fator importante para a logística da safra atual. Conforme apontado no material, o Inmet indica a chegada de uma forte massa de ar frio, com queda acentuada nas temperaturas e chuvas no Sul do país.

O alerta é maior para produtores gaúchos que ainda têm soja no campo. O avanço das chuvas pode dificultar a finalização da colheita e provocar encharcamento das áreas.

Além do clima, os custos logísticos continuam no radar. De acordo com a Grão Direto, as tensões envolvendo Irã e Estados Unidos no Estreito de Ormuz e a paralisação do fluxo na região mantêm o frete transoceânico pressionado.

O encarecimento dos seguros marítimos também limita uma recuperação rápida dos prêmios portuários no Brasil.

A mesma instabilidade afeta os custos de produção. O bloqueio de petroleiros e os conflitos na região reduzem as chances de queda nos preços de fretes e fertilizantes importados, com tendência de maior pressão sobre a ureia no próximo trimestre.

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