EUA: produção de soja sobe, mas produtividade recua
USDA revisa oferta de soja dos EUA
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A produção de soja dos Estados Unidos na safra 2026/27 foi revisada para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que elevou também a projeção de oferta norte-americana e dos estoques finais. Segundo dados divulgados pelo USDA, a produção deve alcançar 4,5 bilhões de bushels, avanço de 44 milhões em relação à estimativa anterior.
A revisão ocorre em meio ao aumento da área colhida, parcialmente compensado pela previsão de produtividade ligeiramente menor. A produção total de oleaginosas dos EUA foi projetada em 132,7 milhões de toneladas, alta de 1,1 milhão de toneladas ante a previsão do mês anterior.
Segundo dados divulgados pelo USDA, a área colhida de soja foi revisada para 85,8 milhões de acres, aumento de 1,4 milhão de acres em relação à projeção de julho. O avanço está relacionado ao aumento da área cultivada no Missouri, Mississippi e Minnesota.
A primeira estimativa de produtividade baseada em levantamento de campo ficou em 52,7 bushels por acre, queda de 0,3 bushel frente à projeção anterior e ao recorde registrado no ano passado. Com a maior produção, a oferta de soja dos EUA para 2026/27 foi elevada em 39 milhões de bushels. O aumento, porém, foi parcialmente compensado por estoques iniciais menores, resultado de uma leve elevação no processamento da oleaginosa no ano comercial anterior.
O processamento de soja nos Estados Unidos foi elevado em 30 milhões de bushels, para 2,78 bilhões de bushels. Segundo dados divulgados pelo USDA, a revisão considera margens de processamento robustas e uma demanda mais forte por farelo e óleo de soja. As exportações norte-americanas de farelo de soja foram aumentadas em 0,7 milhão de short tons, para 22,7 milhões de toneladas. O ajuste reflete a forte demanda global e o aumento do consumo interno e das importações em diversos mercados.
Entre os países e regiões citados pelo USDA estão Filipinas, México, Tailândia, Turquia, União Europeia e Equador, com revisões envolvendo os anos comerciais de 2025/26 e 2026/27. O consumo interno de óleo de soja dos Estados Unidos também foi elevado, em razão da maior demanda registrada no ano comercial anterior. As exportações de soja dos EUA permaneceram inalteradas. Já os estoques finais foram elevados em 10 milhões de bushels, para 320 milhões, devido à maior oferta.
Os preços projetados para a safra 2026/27 foram mantidos pelo USDA. O preço médio da soja na propriedade rural dos Estados Unidos permanece estimado em US$ 11,40 por bushel. Para o farelo de soja, a projeção é de US$ 310 por short ton, enquanto o óleo de soja segue estimado em 70 centavos por libra-peso.
A previsão de produção estrangeira de oleaginosas para 2026/27 teve uma leve redução. Segundo dados divulgados pelo USDA, a menor produção de soja e de sementes de girassol foi, em grande parte, compensada pelo aumento da produção de canola e caroço de algodão.
A produção de soja da Ucrânia foi reduzida devido a uma área cultivada menor do que a informada anteriormente. Na União Europeia, a estimativa para a produção de sementes de girassol também caiu. Condições de calor e seca prejudicaram a produtividade na França e na Hungria. Por outro lado, as perspectivas de produção da Bulgária e da Romênia foram elevadas, favorecidas por chuvas consideradas favoráveis ao longo da temporada. No Canadá, a produção de canola foi elevada em 0,5 milhão de toneladas, para 22,5 milhões de toneladas, devido à maior produtividade.
Segundo dados divulgados pelo USDA, a região das Pradarias evitou, em grande parte, condições de seca durante a safra. O período foi marcado por chuvas abundantes, seguido por temperaturas mais elevadas e condições mais secas no fim de julho e pelo retorno de temperaturas mais amenas no início de agosto. As projeções globais de oferta e demanda de soja para 2026/27 apontam para aumento da produção, maior processamento e estoques finais ligeiramente superiores.
A maior produção dos Estados Unidos é parcialmente compensada pela redução prevista para a Ucrânia. As exportações globais de soja permanecem inalteradas. A queda esperada nos embarques da Ucrânia é compensada pelo aumento das exportações da Argentina. O volume global de processamento foi elevado para Estados Unidos e Canadá, enquanto a projeção para a Ucrânia foi reduzida. Os estoques finais globais de soja foram revisados ligeiramente para cima, chegando a 124,2 milhões de toneladas.