EUA batem 99,8% da meta de exportação de soja em 2025/26
Desempenho acumulado ficou abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior
Foto: Leonardo Gottems
Os Estados Unidos praticamente esgotaram sua cota de exportações de soja para o ano comercial 2025/26 antes mesmo do encerramento da temporada. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país já havia vendido 41,0 milhões de toneladas até 18 de junho, frente a uma projeção anual de 41,1 milhões de toneladas para o ciclo setembro-agosto.
O volume comercializado representa 99,8% da meta total estabelecida pelo USDA para o ano comercial, sinalizando que a capacidade de exportação americana para a temporada está praticamente encerrada. O dado revela um ritmo acelerado nas semanas mais recentes, que permitiu ao país se aproximar do teto projetado com meses ainda disponíveis no calendário.
Ainda assim, de acordo com os dados da DATAGRO, o desempenho acumulado ficou 17% abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior, quando os EUA haviam exportado 49,4 milhões de toneladas até a mesma data. A diferença representa cerca de 8,4 milhões de toneladas a menos em relação ao ano anterior.
A queda reflete diretamente o impacto da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que reconfigurou os fluxos globais de soja ao longo de toda a temporada. Com tarifas elevadas e incertezas sobre acordos bilaterais, a China reduziu suas compras de grãos americanos e intensificou a busca por fornecedores alternativos, com destaque para o Brasil.
O Brasil, maior produtor e exportador global de soja, se beneficiou do redirecionamento da demanda chinesa durante o período. O fluxo comercial favorável ao Brasil foi uma das principais forças que sustentaram a valorização dos preços da oleaginosa no mercado interno ao longo da temporada.
Com o volume exportável dos EUA praticamente esgotado, a atenção do mercado se volta agora para o início do novo ciclo, quando as condições climáticas para o plantio da safra 2026/27 e o andamento das negociações comerciais entre Washington e Pequim voltarão a determinar o ritmo das vendas externas. A proximidade com o teto projetado também limita a margem de manobra dos americanos para eventuais negociações de última hora com compradores asiáticos antes do encerramento formal do ano comercial em agosto. Qualquer venda adicional relevante dependerá de revisão da própria meta do USDA.