O que está por trás da freada da soja no Brasil
A produção também deve crescer em ritmo mais moderado
A produção também deve crescer em ritmo mais moderado - Foto: Divulgação
A expansão da área de soja no Brasil deve perder força na safra 2026/27, após mais de duas décadas de crescimento contínuo, em uma mudança relevante na estratégia dos produtores. Segundo o Rabobank, a combinação de preços mais baixos, margens comprimidas, crédito mais restrito, custos financeiros elevados e incertezas no mercado de insumos tornou o ambiente menos favorável a novos avanços rápidos.
A pressão sobre o caixa também aumenta a oferta de terras para venda ou arrendamento, à medida que produtores buscam liquidez e ajustes em seus balanços. Esse movimento tende a reduzir o ritmo de expansão, sobretudo pela conversão de pastagens, e a deslocar o crescimento da soja para a otimização e a redistribuição de áreas agrícolas já existentes.
Mesmo com a estabilização prevista, não há sinais de contração estrutural, já que a terra continua sendo o principal ativo produtivo do agricultor. A expectativa é de que o avanço futuro dependa mais de ganhos de produtividade, intensificação do uso do solo, sistemas de duas safras e melhorias de eficiência operacional do que da incorporação de novas áreas.
A produção também deve crescer em ritmo mais moderado. A RaboResearch estima que o Brasil colherá 178 milhões de toneladas de soja em 2026/27, volume ligeiramente abaixo do recorde de 2025/26. A diferença, porém, refletiria uma normalização da produtividade, e não uma redução da área plantada.
O crescimento mais lento da oferta brasileira pode contribuir para maior equilíbrio entre oferta e demanda globais, fluxos de exportação mais estáveis e algum suporte às bases domésticas. Entre os riscos, estão os possíveis efeitos do El Niño e a alta dos fertilizantes ligada a tensões geopolíticas, fatores que podem limitar o rendimento e elevar os custos de produção.