Produção responsável amplia espaço da soja brasileira no exterior
Certificação amplia competitividade da soja
Foto: Pixabay
A sustentabilidade passou a ocupar um papel central no comércio internacional da soja, e a certificação vem se consolidando como um requisito para acessar os principais mercados consumidores. Nesse cenário, a Mesa Redonda da Soja Responsável (Round Table on Responsible Soy Association – RTRS) afirma que tem contribuído para fortalecer a cadeia produtiva por meio de um padrão de certificação reconhecido globalmente, conectando produtores, empresas, instituições financeiras e compradores em torno de critérios de rastreabilidade, transparência e boas práticas.
Nos últimos anos, a cadeia da soja registrou avanços em áreas como rastreabilidade, monitoramento de riscos socioambientais, combate ao desmatamento e adoção de boas práticas agrícolas. Esse movimento acompanha a crescente exigência de compradores, investidores e consumidores por cadeias produtivas mais transparentes, tornando a comprovação da origem responsável um fator cada vez mais importante para manter e ampliar a presença da soja nos mercados internacionais.
Segundo a diretora-executiva da RTRS, Marina Muscolo, produzir de forma responsável deixou de ser apenas uma questão de reputação para se tornar uma exigência comercial. “Os produtores brasileiros vêm investindo em eficiência produtiva, gestão ambiental e transparência, demonstrando que é possível conciliar produtividade, competitividade e responsabilidade socioambiental. Esse amadurecimento consolidou a certificação como uma ferramenta estratégica para fortalecer a posição comercial da soja brasileira diante das novas exigências internacionais. Não por acaso, a RTRS é hoje o maior padrão global de soja responsável e também lidera no Brasil em número de hectares e toneladas certificadas, entre as diversas iniciativas existentes no mercado”, realça.
Além de atender às exigências do mercado, a certificação tem contribuído para aprimorar a gestão das propriedades rurais e fortalecer a cadeia de valor. De acordo com a RTRS, o padrão internacional oferece uma estrutura reconhecida para comprovar que a soja foi produzida conforme critérios ambientais, sociais e econômicos, agregando credibilidade ao produto brasileiro.
Marina destaca que um dos diferenciais da certificação é sua construção multissetorial, envolvendo representantes de todos os segmentos da cadeia produtiva da soja. Ela explica ainda que os critérios passam por revisões periódicas e contam com interpretações nacionais, permitindo que permaneçam alinhados às mudanças nas práticas agrícolas, às exigências dos mercados e às características de cada país produtor.
“O processo impulsiona melhorias na gestão das propriedades, fortalece os controles internos, reduz riscos operacionais e otimiza o uso de recursos, contribuindo para ganhos de eficiência e para uma visão mais estratégica da produção”, evidencia a diretora-executiva.
Segundo a entidade, os benefícios da certificação também alcançam trabalhadores, comunidades e os demais elos da cadeia produtiva, contribuindo para um modelo de produção mais preparado para enfrentar os desafios futuros.
Outro aspecto destacado pela RTRS é o incentivo econômico proporcionado pela certificação. Os produtores recebem créditos equivalentes ao volume certificado, que podem ser adquiridos por empresas interessadas em apoiar a produção responsável ou equilibrar os impactos do consumo de soja em suas cadeias de valor. Conforme a entidade, esse mecanismo incentiva a manutenção da certificação e novos investimentos em práticas sustentáveis.
A certificação também pode ampliar o acesso a benefícios financeiros. De acordo com a RTRS, produtores certificados costumam ser priorizados por instituições financeiras que consideram a gestão de riscos da atividade na concessão de crédito e em outras condições diferenciadas.
Na avaliação de Marina Muscolo, produtores e empresas que permanecem fora de iniciativas de certificação e rastreabilidade tendem a enfrentar desafios cada vez maiores para atender às exigências internacionais. Segundo ela, regulamentações, compromissos corporativos e critérios de sustentabilidade elevam continuamente os padrões exigidos pelos compradores, tornando a comprovação da origem responsável um diferencial competitivo.
Para os próximos anos, a expectativa da diretora-executiva é que rastreabilidade, transparência e comprovação independente das práticas socioambientais se consolidem como requisitos básicos para o comércio internacional de soja. “Nesse cenário, a RTRS continuará apoiando produtores, empresas e demais integrantes da cadeia na construção de sistemas mais confiáveis, capazes de atender às demandas dos mercados globais”, salienta.
Marina avalia que o Brasil reúne condições para ampliar sua liderança na produção sustentável de soja. Segundo ela, investimentos contínuos em certificação, rastreabilidade e aperfeiçoamento das práticas produtivas poderão fortalecer a posição do país como fornecedor estratégico de soja produzida de forma responsável, agregando valor ao produto nacional e ampliando sua competitividade nos mercados mais exigentes.