Publicação rebate mitos sobre drones no campo
Drones ampliam acesso à agricultura de precisão
Foto: Pixabay
Uma cartilha voltada à pulverização agrícola com drones foi lançada nesta terça-feira (14), em Brasília, com o objetivo de ampliar o acesso a informações técnicas e contribuir para o debate público sobre o uso da tecnologia no campo. O material, intitulado "Drones de Pulverização – segurança, produtividade e inclusão", foi apresentado na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante reunião de entidades que integram o Instituto Pensar Agropecuária (IPA), responsável pelo suporte técnico à Frente. As informações foram divulgadas pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag).
A publicação foi elaborada em conjunto pelo Sindag, Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), CropLife Brasil e Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). Segundo as entidades, o material responde a críticas que, muitas vezes, se baseiam em informações consideradas distantes da realidade das operações agrícolas.
Além de orientar produtores rurais e operadores, a cartilha procura demonstrar que os drones de pulverização representam uma ferramenta de agricultura de precisão capaz de ampliar o acesso de pequenos e médios produtores a tecnologias antes restritas a operações de maior porte.
Responsável pela apresentação, o diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, afirmou que o documento busca esclarecer dúvidas recorrentes sobre o tema. “É uma resposta técnica às dúvidas que existem”, sublinhou Oliveira. Segundo ele, a cartilha apresenta a regulamentação já existente e procura desfazer a percepção de que os drones operam sem mecanismos de controle.
Entre os principais pontos abordados está a associação entre drones e a deriva de produtos para áreas vizinhas. O documento explica que esse risco pode ocorrer em qualquer modalidade de pulverização quando fatores como velocidade do vento, temperatura, umidade relativa do ar, tamanho das gotas e demais parâmetros previstos em bula e no receituário agronômico não são respeitados.
A publicação destaca que, quando utilizados conforme os critérios técnicos, os drones permitem aplicações localizadas, direcionadas apenas aos pontos necessários da lavoura, reduzindo operações em áreas inteiras. Também reforça que a aviação agrícola remotamente pilotada possui regulamentação específica, exige capacitação dos operadores, acompanhamento técnico e elaboração de relatórios das operações.
Segundo Oliveira, a tecnologia já atende diferentes cadeias produtivas, como soja, milho, cana-de-açúcar, café, florestas plantadas, banana, hortaliças, flores e pastagens. Ele também citou experiências em comunidades quilombolas no Espírito Santo e o avanço do uso dos equipamentos em áreas onde a aviação agrícola tripulada não apresentava viabilidade econômica.
Durante o evento, o diretor do Sindag informou que o Brasil encerrou 2025 com 10.357 drones agrícolas registrados na Agência Nacional de Aviação Civil. Segundo ele, esse número ainda não representa todo o mercado, já que dados de importação apontam a entrada acumulada de mais de 30 mil equipamentos no país, parte deles ainda em processo de comercialização ou regularização.
Para Oliveira, esse cenário reforça a necessidade de aperfeiçoar a integração entre as bases de dados da Anac e do Ministério da Agricultura e Pecuária, além de ampliar a conscientização sobre as obrigações legais dos proprietários e operadores. A cartilha defende que o crescimento da tecnologia exige aprimoramento dos mecanismos de cadastro, capacitação e fiscalização, mas ressalta que isso não justifica a desqualificação da atividade. “Há diferença entre aperfeiçoar controles e demonizar tecnologias”, afirma o texto de abertura da publicação.
Outro destaque do documento é a demonstração de que os drones de pulverização estão submetidos a diferentes instâncias de fiscalização pública. As operações envolvem normas do Mapa, da Anac, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, da Agência Nacional de Telecomunicações, de órgãos estaduais e dos conselhos profissionais.
Entre as exigências estão o registro do equipamento, habilitação do piloto remoto, receituário agronômico, regularização da empresa prestadora ou da propriedade operadora, homologação dos equipamentos e envio de relatórios detalhados das aplicações ao Ministério da Agricultura. O material informa ainda que irregularidades podem resultar em multas, suspensão das atividades, embargo das operações, apreensão dos equipamentos e responsabilização administrativa, civil e penal, tanto do operador quanto do produtor que contratar serviços fora das normas.
O diretor-executivo da Aprosoja Brasil e vice-presidente do IPA, Fabrício Morais Rosa, afirmou que o avanço da tecnologia no campo é irreversível e destacou a importância de ampliar a comunicação sobre o tema. “A aderência é altíssima, e a praticidade e a eficiência da tecnologia são muito grandes. É importante melhorar a comunicação com o produtor, tanto do ponto de vista técnico quanto legal e regulatório”, declarou.
Segundo Fabrício, o objetivo da cartilha não é defender operações irregulares, mas reforçar o uso responsável da tecnologia. “Ninguém vai defender ilegalidades. O que defendemos é o uso regular, bem-feito, à luz da legislação, dos regulamentos e das melhores práticas”, pontuou. Para ele, o documento também fortalece o diálogo com a sociedade ao associar os drones à modernização e à produtividade da agricultura brasileira.
A chefe da Divisão de Aviação Agrícola do Mapa, Uéllen Colato, avaliou positivamente a iniciativa e afirmou que o governo acompanha a expansão da tecnologia no campo. “Só com divulgação de conhecimento e com um trabalho sério e responsável vamos conseguir alavancar a aviação agrícola e a agropecuária brasileira de forma sustentável”, afirmou.
O gerente de Assuntos Regulatórios do Sindiveg, Fábio Kagi, destacou que os drones fazem parte da evolução das tecnologias de aplicação e reforçou o compromisso da indústria com o uso correto dos defensivos agrícolas e bioinsumos. Já Pedro Duarte, da CropLife Brasil, afirmou que a cartilha reúne fundamentos técnicos, científicos e jurídicos para que o tema seja debatido com base em evidências. Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, da Aenda e de outras entidades também defenderam que a publicação sirva de referência para debates públicos, projetos legislativos e posicionamentos de parlamentares.
As entidades responsáveis pelo material esperam que a cartilha amplie o acesso da sociedade a informações técnicas sobre a pulverização com drones e contribua para que casos isolados de irregularidades não sejam utilizados para desqualificar uma tecnologia baseada em precisão, controle operacional e rastreabilidade.
