Soja: cinco cuidados essenciais após o plantio para proteger a lavoura
Doenças da soja exigem atenção mesmo em lavouras bem desenvolvidas
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A soja exige atenção desde as primeiras semanas após a semeadura para alcançar o desempenho esperado e preservar o potencial produtivo. Com o início do plantio da safra 2026/2027 em algumas regiões do Brasil, o monitoramento do estande, das plantas daninhas, dos insetos, da disponibilidade de água e das doenças ajuda os produtores a identificar problemas e orientar o manejo no momento adequado.
O Brasil produziu 180,4 milhões de toneladas de soja na safra 2025/2026, crescimento de 5,2% em relação ao ciclo anterior, segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu levantamento mais recente.
O acompanhamento da lavoura deve começar logo após a semeadura. Segundo Rafael Toscano, gerente comercial de sementes da ORÍGEO, joint venture entre Bunge e UPL especializada em soluções sustentáveis e gestão integrada para grandes agricultores do Cerrado, o trabalho do produtor vai além da implantação da cultura. “O trabalho do produtor não começa com a semeadura. É preciso acompanhar de perto o desenvolvimento da cultura para identificar eventuais desafios fitossanitários rapidamente e tomar decisões antes que eles comprometam o estande e a produtividade”, destaca Toscano.
Um dos primeiros pontos de atenção é a formação do estande de plantas. Falhas na emergência, desuniformidade e problemas localizados podem indicar compactação do solo, deficiência hídrica, ataque de pragas ou outras condições que precisam ser investigadas. “O acompanhamento das áreas nas primeiras semanas ajuda o produtor a entender como a lavoura está respondendo e se o desenvolvimento está ocorrendo de maneira uniforme”, explica o especialista.
O controle de plantas daninhas é outro cuidado importante nas primeiras fases da soja. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a competição por água, luz e nutrientes pode comprometer o desenvolvimento da cultura, especialmente entre 10 e 50 dias após a emergência. Nesse período, o monitoramento ajuda a identificar a presença de plantas invasoras e a orientar as medidas de manejo, reduzindo a competição pelos recursos necessários ao crescimento da soja.
A presença de insetos também exige acompanhamento desde o início do ciclo. A Embrapa recomenda o Manejo Integrado de Pragas (MIP), estratégia que considera diferentes fatores antes da definição das medidas de controle. Entre os aspectos avaliados estão a identificação da espécie, a população de insetos, o estágio de desenvolvimento da cultura e a presença de inimigos naturais. A análise conjunta dessas informações permite orientar as decisões de manejo de acordo com as condições observadas na lavoura.
A umidade do solo precisa ser acompanhada ao longo de todo o ciclo produtivo. Mesmo lavouras com bom estabelecimento podem ter o desempenho comprometido quando enfrentam períodos de déficit hídrico.Observar as condições do solo, o desenvolvimento das plantas e a previsão do tempo ajuda o produtor a interpretar o que ocorre no campo e a organizar as operações de manejo.
O monitoramento fitossanitário deve continuar mesmo quando as plantas apresentam bom desenvolvimento. A identificação dos primeiros sintomas de doenças permite investigar suas causas e avaliar a necessidade de intervenção. A ferrugem-asiática é um exemplo de doença que exige atenção. Segundo Rafael Toscano, o monitoramento é uma das ferramentas utilizadas para orientar o manejo e evitar que a doença avance sem controle. A observação frequente das lavouras, portanto, contribui para identificar problemas precocemente e embasar decisões ao longo do ciclo da soja.