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Soja brasileira enfrenta disputa com os EUA

China também permanece no centro das decisões comerciais


Foto: Divulgação

O mercado de soja entra na safra 2026/27 com sinais distintos entre Brasil e Estados Unidos. Em agosto de 2026, a perspectiva de grande produção norte-americana, a maior competitividade dos EUA e o comportamento dos prêmios de exportação passaram a limitar o potencial de valorização do grão brasileiro, mesmo após a firmeza observada no mercado doméstico, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

Preços da soja encontram forças diferentes

Em julho, o primeiro vencimento da soja na Bolsa de Chicago registrou média de USD 11,97 por bushel, avanço de 6,2% em relação a junho. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o movimento foi sustentado inicialmente pelas preocupações com temperaturas elevadas e chuvas irregulares nos Estados Unidos, além da firmeza do óleo de soja ligada à demanda por biocombustíveis. Com a melhora do clima, porém, a média parcial de agosto caiu para USD 11,62 por bushel.

No Brasil, a trajetória foi diferente. Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a soja negociada em Sorriso teve média de R$ 120 por saca em julho, alta mensal de 10,8%. Na parcial de agosto, o valor chegou a R$ 125 por saca, mais 4,3%. Câmbio, prêmios nos portos e demanda externa ajudaram a sustentar as cotações brasileiras.

A China também permanece no centro das decisões comerciais. Conforme os dados apresentados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, com informações do USDA, as compras chinesas de soja norte-americana da safra 2026/27 chegaram a 4,6 milhões de toneladas para embarques no último trimestre. A expectativa do mercado indicada no relatório é de aquisições de 25 milhões de toneladas dos Estados Unidos durante o ciclo.

Safra americana amplia disputa por compradores

O relatório de agosto do USDA elevou de 122 milhões para 123 milhões de toneladas a estimativa para a produção de soja dos Estados Unidos. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o aumento ocorreu por causa da expansão da área cultivada, apesar de uma revisão negativa na produtividade. O maior processamento doméstico, por outro lado, ajudou a conter o crescimento projetado dos estoques finais.

No balanço mundial, a produção de soja para 2026/27 aparece em 442 milhões de toneladas, crescimento de 3% sobre o ciclo anterior. Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA com base no USDA, o Brasil aparece com 186 milhões de toneladas, enquanto os Estados Unidos têm projeção de 123 milhões. O estoque final global é estimado em 124 milhões de toneladas.

Um dos principais pontos de atenção para o produtor brasileiro está nos prêmios. A Consultoria Agro do Itaú BBA informa que os prêmios de exportação no Golfo dos Estados Unidos estavam entre USD 1 e USD 1,15 por bushel, enquanto no Brasil permaneciam próximos de USD 1,50 a USD 1,60. Essa diferença deixa a origem norte-americana mais competitiva justamente quando a disponibilidade brasileira começa a diminuir.

O resultado é um cenário em que uma eventual valorização em Chicago não necessariamente será transferida na mesma intensidade às cotações brasileiras. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o basis abaixo da média histórica e a expectativa de ampla oferta sul-americana podem compensar parte dos ganhos dos contratos futuros. Para o produtor, portanto, acompanhar simultaneamente Chicago, câmbio e prêmios será decisivo na formação dos preços da nova safra.

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