Soja gaúcha tem forte variação de produtividade
Safra de soja avança para reta final no Estado
Foto: Pixabay
A colheita da soja chegou a 98% da área cultivada no Rio Grande do Sul. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (22) pela Emater/RS-Ascar, o predomínio de tempo seco e a redução da umidade dos grãos favoreceram o avanço das operações, aumentando a fluidez da colheita e reduzindo descontos por umidade nas unidades de recebimento e beneficiamento.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a safra apresentou grande variabilidade de rendimento entre regiões e até dentro de um mesmo município. O cenário reflete a distribuição irregular das chuvas, as características dos solos, o posicionamento das cultivares e o nível tecnológico adotado nas lavouras. Em áreas atingidas por déficit hídrico mais intenso entre janeiro e fevereiro, principalmente em solos rasos e arenosos, foram registradas perdas significativas e desenvolvimento irregular das plantas.
As produtividades variaram de áreas abaixo de 1.000 quilos por hectare até lavouras acima de 4.000 quilos por hectare, especialmente em cultivos irrigados e com variedades de ciclo intermediário. O levantamento também apontou diferenças expressivas de desempenho entre materiais genéticos submetidos ao mesmo manejo, reforçando a importância da adaptação das cultivares aos diferentes ambientes de produção.
As áreas remanescentes correspondem principalmente às lavouras de segundo cultivo, implantadas fora da janela preferencial ou em sucessão ao milho. Em parte dessas áreas, foram observadas produtividades menores em razão da semeadura tardia e do desenvolvimento vegetativo reduzido. Parte dos grãos apresenta calibre inferior, mas boa uniformidade, sendo destinada à produção de sementes.
A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 quilos por hectare, em uma área cultivada de 6.624.988 hectares. Na região administrativa de Bagé, o tempo seco favoreceu o avanço da colheita, especialmente em municípios que registravam atraso operacional. Na Fronteira Oeste, começaram os trabalhos nas áreas de safrinha implantadas após o milho em Manoel Viana, Maçambará e São Borja. Em Rosário do Sul, após o estresse hídrico registrado entre janeiro e fevereiro, as chuvas beneficiaram principalmente as cultivares de ciclo médio e longo. Cerca de 95% dos 50 mil hectares cultivados já foram colhidos, com produtividade média de 2.280 quilos por hectare. Na Campanha, os rendimentos seguem variando entre 900 e 3.600 quilos por hectare, conforme a distribuição das chuvas, época de semeadura, ambiente de produção e nível de investimento. Também foram registradas diferenças de até 600 quilos por hectare entre cultivares submetidas ao mesmo manejo. O tempo firme também favoreceu a colheita das áreas destinadas à produção de sementes próprias.
Na região de Caxias do Sul, o tempo seco permitiu a conclusão da colheita em toda a área cultivada. A produtividade média ficou em torno de 3.000 quilos por hectare, abaixo da expectativa inicial.
Na região de Erechim, a colheita foi concluída, e a produtividade média está estimada em cerca de 3.700 quilos por hectare. Houve forte variação entre municípios, com resultados entre 2.200 e 4.200 quilos por hectare. As cultivares de maturação intermediária apresentaram os melhores desempenhos.
Na região de Ijuí, a colheita atingiu 98% da área cultivada. A produtividade média está próxima de 3.000 quilos por hectare. As lavouras de segundo cultivo estão na fase final da colheita e apresentam elevada variabilidade produtiva, embora algumas áreas tenham superado 3.500 quilos por hectare. As áreas restantes possuem menor potencial produtivo devido à semeadura tardia. Os produtores concluíram a aplicação de produtos para uniformização da maturação e aguardam apenas condições operacionais para encerrar os trabalhos. Os grãos da safrinha apresentam menor tamanho, mas maior uniformidade, sendo direcionados principalmente para sementes.
Na região de Passo Fundo, a colheita foi concluída. A produtividade média estimada alcança 3.500 quilos por hectare, com pequenas variações entre as lavouras.
Na região de Pelotas, a colheita chegou a 91% das áreas cultivadas. As lavouras remanescentes estão em maturação ou maduras, e a produtividade média regional está estimada em 2.800 quilos por hectare.
Na região de Santa Maria, a colheita está praticamente encerrada. Em Tupanciretã, os 147.015 hectares cultivados foram totalmente colhidos, com produtividade média de 3.000 quilos por hectare. Nas áreas irrigadas, que somam 5.070 hectares, a produtividade média alcançou 4.800 quilos por hectare. Na região, a média estimada é de 2.900 quilos por hectare.
Na região de Santa Rosa, 97% das áreas foram colhidas, enquanto 2% estão maduras e 1% ainda em enchimento de grãos. A produtividade média regional está em torno de 2.400 quilos por hectare, influenciada principalmente pela distribuição irregular das chuvas ao longo do ciclo. Nas áreas de soja safrinha, os rendimentos variam entre 900 e 4.200 quilos por hectare em razão da irregularidade climática, da redução do fotoperíodo e do menor desenvolvimento das plantas. Na região de Soledade, o predomínio de tempo firme permitiu a conclusão da colheita. A produtividade média regional deve ficar próxima de 3.000 quilos por hectare.