Trigo: excesso de umidade reduz ritmo e preocupa lavouras
Chuva atrasa trigo no Rio Grande do Sul
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As lavouras de trigo do Rio Grande do Sul apresentam desenvolvimento regular, mas o excesso de precipitações, a nebulosidade persistente e a baixa radiação solar vêm retardando o crescimento e a evolução fenológica dos cultivos. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (20), a umidade elevada também aumentou a pressão de doenças e reduziu as janelas para aplicação de Fungicidas. A maior parte das áreas está em desenvolvimento vegetativo, enquanto cultivos implantados mais cedo avançam para floração e enchimento de grãos. Apesar das restrições provocadas pelo clima, o potencial produtivo permanece, em geral, satisfatório.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, 82% das lavouras de trigo estão em desenvolvimento vegetativo, 14% avançaram para a floração e 4% estão em enchimento de grãos.
As condições meteorológicas reduziram a taxa de crescimento em parte dos cultivos. As plantas apresentam menor porte, coloração verde-pálida e, nos ambientes mais úmidos, amarelecimento das folhas inferiores. Também foram observados colmos mais delgados, resultado associado ao menor acúmulo de biomassa. A elevada umidade e o prolongado período de molhamento foliar aumentaram a pressão de doenças, principalmente oídio, manchas foliares e ferrugens. Nas áreas em floração, a umidade excessiva do solo restringiu o trânsito de máquinas e reduziu as oportunidades para aplicação de fungicidas.
Mesmo diante das limitações climáticas, o potencial produtivo das lavouras permanece, em geral, satisfatório. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a área projetada para a Safra 2026 é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 kg/ha. Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, o desenvolvimento das plantas foi prejudicado pelo excesso de umidade, com ocorrência de amarelecimento e sinais associados à baixa aeração das raízes. As aplicações de fungicidas ficaram concentradas nas reduzidas janelas de tempo firme, principalmente nas lavouras em floração. A presença de insetos-praga permanece baixa, mas a atenção às doenças foliares foi ampliada.
Em Caxias do Sul, a baixa luminosidade combinada à elevada precipitação retardou o desenvolvimento e manteve a maior parte das lavouras em perfilhamento. Os produtores realizam adubação nitrogenada e controle de plantas invasoras. O estabelecimento inicial é considerado adequado, embora tenham sido registradas falhas de germinação em algumas áreas.
Na região de Frederico Westphalen, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, 70% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 15% em florescimento e outros 15% em enchimento de grãos. A nebulosidade persistente e a baixa radiação solar limitaram o desenvolvimento. A umidade excessiva do solo também restringiu as operações mecanizadas e concentrou o manejo na aplicação de fungicidas.
Em Ijuí, 95% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 5% em floração. As plantas apresentam coloração verde-pálida, amarelecimento nos locais mais úmidos, maior altura, colmos finos e folhas estreitas.
A incidência de oídio e manchas foliares aumentou. Nas áreas em floração, foram observados sintomas de mal-do-pé e morte de plantas. A umidade elevada dificultou a aplicação de fungicidas e provocou amassamento de plantas e atolamento de máquinas nos pontos mais úmidos.
Em Passo Fundo, todos os cultivos estão em afilhamento, enquanto a adubação nitrogenada em cobertura já foi concluída. Na região de Pelotas, 96% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 4% no início do florescimento. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, as chuvas intensas e de alto volume não causaram danos diretos aos cultivos, mas vêm retardando o desenvolvimento das plantas.
Na região de Santa Rosa, 73% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração e 4% em enchimento de grãos. Nos cultivos em florescimento, a combinação de temperaturas entre 20°C e 25°C com molhamento prolongado favorece infecções por giberela. Nas áreas em espigamento, temperaturas mais elevadas, nebulosidade e alta umidade ampliam as condições de risco para brusone.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a abertura de uma janela de tempo firme permitiu intensificar as aplicações de fungicidas na região. Em Soledade, o excesso de chuva restringiu o manejo fitossanitário e favoreceu a incidência de doenças fúngicas, principalmente manchas foliares e ferrugens. Alguns sintomas já foram observados nas lavouras. Parte das áreas em espigamento havia recebido tratamento preventivo para giberela. Apesar das condições climáticas, a situação geral dos cultivos permanece satisfatória. Quanto à fenologia, 30% das áreas estão em perfilhamento, 55% em elongação do colmo e 15% em espigamento, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar.
O excesso de água no solo tem sido um dos principais obstáculos às operações nas lavouras de trigo. Em diferentes regiões, a dificuldade de trânsito de máquinas reduziu as janelas disponíveis para aplicações fitossanitárias. A restrição é especialmente relevante nas áreas que avançaram para floração, período em que o manejo de doenças exige maior atenção.
Além de limitar a entrada de máquinas, o solo excessivamente úmido provocou amassamento de plantas e atolamento de equipamentos em pontos mais críticos. Ainda assim, os dados divulgados pela Emater/RS-Ascar indicam que, de maneira geral, as lavouras mantêm condição satisfatória e seguem avançando no ciclo, embora em ritmo inferior ao esperado em algumas regiões.