Clima limita desenvolvimento do milho e atrasa plantio em regiões gaúchas
Plantio de milho chega a 78% da área prevista
Foto: Agrolink
O plantio de milho no Rio Grande do Sul alcançou 78% da área prevista, mas segue em ritmo desigual entre as regiões, com limitações causadas por temperaturas amenas, excesso de umidade e baixa incidência de radiação solar. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural de quinta-feira (22), a estimativa estadual é de 896.401 hectares cultivados e produtividade projetada de 7.711 quilos por hectare.
A semeadura apresenta diferentes níveis de avanço no estado. Enquanto algumas áreas estão próximas da conclusão, outras, especialmente as destinadas ao autoconsumo, ainda estão no início da implantação. Entre as lavouras já estabelecidas, 98% permanecem em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% entraram na fase reprodutiva e já estão em floração.
A melhora temporária da disponibilidade de radiação solar favoreceu o crescimento das plantas em parte do período. As lavouras apresentam folhas verde-escuras, colmos espessos, bom enraizamento e resposta positiva à adubação nitrogenada em cobertura, favorecida pela umidade do solo.
Apesar disso, as temperaturas amenas e a nebulosidade persistente continuam retardando o desenvolvimento em algumas regiões, principalmente nas áreas semeadas mais cedo.
Os temporais com granizo registrados no final de setembro provocaram falhas de estande e danos foliares em algumas regiões do Rio Grande do Sul. Nos talhões mais atingidos, os prejuízos comprometeram de forma irreversível o potencial produtivo. Já as áreas menos afetadas apresentaram recuperação satisfatória, segundo a Emater/RS-Ascar.
O manejo fitossanitário segue concentrado no controle de cigarrinhas e percevejos, além do combate a doenças fúngicas. A incidência de cigarrinhas permanece baixa em diversas áreas acompanhadas pela entidade.
Veja o avanço do plantio de milho por região no RS
O ritmo da semeadura varia entre as regiões administrativas da Emater/RS-Ascar, conforme as condições de solo, temperatura e luminosidade.
Frederico Westphalen: cerca de 95% da área prevista foi semeada. As lavouras estão integralmente em desenvolvimento vegetativo, com melhora no crescimento após o aumento da radiação solar. O estado fitossanitário é considerado bom, com baixa infestação de percevejos e cigarrinhas.
Ijuí: o plantio alcançou 92% da área projetada. As plantas apresentam bom desenvolvimento e vigor. Nas áreas mais precoces, algumas lavouras estão entre os estádios V10 e V12, e mais de 5% se encontram próximas da formação do pendão.
Passo Fundo: a semeadura atingiu 90% da área prevista. As lavouras estão em germinação ou no início do desenvolvimento vegetativo, enquanto as áreas mais precoces recebem adubação nitrogenada.
Santa Rosa: cerca de 90% da área foi semeada. Do total cultivado, 97% está em desenvolvimento vegetativo e 3% na fase reprodutiva. As lavouras atingidas por granizo e ventos apresentam diferentes níveis de recuperação, com perdas irreversíveis nos talhões mais danificados. A incidência de cigarrinhas segue baixa.
Soledade: o plantio alcança 63% da área prevista, e a semeadura das áreas mais precoces foi concluída. As lavouras estão em germinação, emergência ou no início do desenvolvimento vegetativo.
Bagé: a semeadura avançou em direção ao leste da Campanha e aos municípios próximos da Fronteira Oeste. O crescimento das lavouras estabelecidas continua limitado pelas baixas temperaturas e pela pouca incidência de sol. Prosseguem as aplicações de fertilizantes nitrogenados, herbicidas, inseticidas e fungicidas.
Caxias do Sul: o avanço do plantio foi limitado pela elevada umidade do solo. As temperaturas baixas e a nebulosidade persistente reduziram a disponibilidade de radiação e retardaram o desenvolvimento inicial das plantas.
Pelotas: apenas 9% da área prevista foi semeada. As lavouras implantadas estão integralmente em desenvolvimento vegetativo, com crescimento lento em razão das temperaturas mais baixas.
A estimativa da Emater/RS-Ascar para a safra de milho no Rio Grande do Sul é de 896.401 hectares de área plantada, com produtividade projetada de 7.711 kg/ha. Embora o avanço da semeadura e o vigor das plantas sejam pontos positivos em diversas regiões, a continuidade do desenvolvimento dependerá das condições de temperatura, luminosidade e umidade do solo. Os danos provocados pelos temporais também seguem como fator de atenção nas áreas atingidas, especialmente nos talhões em que houve comprometimento irreversível do potencial produtivo.