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Final de junho terá mais frio e chuva intensa

Frio avança e chuvas seguem acima do normal em grande parte do Brasil


Foto: Pexels

A atuação de novas frentes frias deve manter os volumes de chuva acima da média em parte do Brasil e intensificar o frio no Centro-Sul até o final de junho. Segundo informações do Meteored, esse cenário é resultado da combinação de diferentes fenômenos atmosféricos que vêm influenciando o comportamento do tempo em várias regiões do país.

Na primeira quinzena de junho, áreas do Brasil Central registraram precipitações acima da média histórica, especialmente entre o norte do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. O comportamento é considerado incomum para esta época do ano, quando normalmente predominam condições mais secas. No mesmo período, as temperaturas máximas ficaram abaixo da média climatológica, com desvios de até 2°C nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

De acordo com o modelo europeu ECMWF, utilizado pelo Meteored, esse padrão deverá persistir ao longo da segunda metade do mês. A previsão indica a passagem frequente de frentes frias capazes de provocar chuvas acima da média em áreas do Brasil Central, além de novas incursões de ar frio sobre o Centro-Sul do país.

As projeções de anomalia de precipitação mostram que tanto a semana entre 15 e 22 de junho quanto o período entre 22 e 29 de junho deverão apresentar volumes de chuva superiores ao normal em parte significativa do território nacional, especialmente na faixa central do país.

Entre os dias 15 e 22 de junho, os desvios positivos de precipitação devem variar entre até 10 milímetros em áreas das regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste. Em partes do leste do Sudeste, no estado de São Paulo e no oeste da Amazônia, os acumulados podem superar essa marca, alcançando desvios entre 10 e 30 milímetros.

Na última semana de junho, a tendência é de intensificação das precipitações, principalmente entre Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e São Paulo. Nestas áreas, os volumes previstos podem ficar entre 30 e 60 milímetros acima da média para o período.

Em relação às temperaturas, a previsão indica valores até 3°C abaixo da média na Região Sul, oeste paulista e Mato Grosso do Sul durante a semana entre 15 e 22 de junho. Enquanto isso, a metade norte do país deverá registrar temperaturas acima da média climatológica.

Já nos últimos dias do mês, uma massa de ar polar mais intensa deverá avançar pelo país, alcançando inclusive o sul da Região Norte e provocando um novo episódio de friagem.

Com a chegada desse sistema, as temperaturas poderão ficar entre 3°C e 6°C abaixo da média no oeste das regiões Sul e Centro-Oeste. Na metade sul do Sudeste e em Goiás, os desvios negativos devem chegar a até 3°C. Enquanto isso, o norte do país continuará registrando temperaturas acima da média.

Segundo o Meteored, a previsão de chuvas acima da média para a segunda quinzena de junho está associada à atuação simultânea de diferentes mecanismos atmosféricos. Entre eles estão a Oscilação Antártica (AAO), a Oscilação Madden-Julian (MJO) e o atual aquecimento do Pacífico Equatorial relacionado ao fenômeno El Niño.

A Oscilação Antártica deverá atingir um pico em fase positiva ao longo deste período e, posteriormente, apresentar tendência de neutralização ou migração para fase negativa. Essa mudança costuma favorecer o avanço de ciclones e sistemas frontais sobre o centro-sul da América do Sul, ampliando a frequência das frentes frias.

Já a Oscilação Madden-Julian tem previsão de permanecer ativa sobre o Pacífico Oeste no final de junho. Esse comportamento pode intensificar a atividade convectiva nos trópicos, enfraquecer os ventos alísios e contribuir para a manutenção do aquecimento no Pacífico Equatorial.

Dependendo de sua intensidade e fase, a MJO também poderá favorecer a formação de áreas de instabilidade sobre partes das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, ampliando as condições para ocorrência de chuva.

A combinação desses fatores reforça a expectativa de continuidade do padrão observado na primeira metade de junho, com maior frequência de precipitações sobre áreas do Brasil Central e sucessivas ondas de frio atingindo o Centro-Sul do país ao longo das próximas semanas.

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