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Umidade do solo reduz ritmo da semeadura da soja no Rio Grande do Sul

Ferrugem-asiática entra no radar dos produtores


Foto: Showtec

O plantio da soja no Rio Grande do Sul alcançou apenas 3% da área prevista para a safra 2026/27, limitado pela umidade excessiva do solo, pelas chuvas frequentes e pelas baixas temperaturas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (22/10), as condições climáticas também retardam o desenvolvimento das primeiras lavouras e dificultam o avanço da semeadura no Estado.

O excesso de umidade restringiu as janelas de plantabilidade e manteve o ritmo de implantação da cultura lento. Além disso, as baixas temperaturas e a limitada radiação solar contribuíram para o desenvolvimento vegetativo mais lento das primeiras áreas semeadas. O período de tempo mais firme permitiu retomar a preparação do solo e a entrada de máquinas em algumas regiões. Mesmo assim, o avanço do plantio continua condicionado à manutenção de condições adequadas de umidade.

Nas propriedades onde a semeadura ainda não começou, os produtores realizam a dessecação de plantas de cobertura, a distribuição de fertilizantes e a regulagem das semeadoras. As chuvas volumosas também prejudicaram a emergência das plantas nas áreas semeadas antecipadamente. Apesar disso, os estandes permanecem, em geral, satisfatórios.

O monitoramento de esporos de ferrugem-asiática já identificou a presença do patógeno em plantas de soja guaxa em diferentes pontos do Rio Grande do Sul. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o monitoramento foi iniciado em 13 municípios, com detecção em nove locais avaliados.

Em Santa Rosa, também foram observadas plantas de soja guaxa com sinais sugestivos da doença, ainda sem confirmação laboratorial. A ocorrência reforça a importância do acompanhamento fitossanitário das lavouras durante o início da safra.

Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a área projetada para o cultivo da soja no Rio Grande do Sul é de 6.645.384 hectares, com produtividade estimada em 3.183 quilos por hectare. O avanço da semeadura segue desigual entre as regiões produtoras, em função das condições de umidade e das possibilidades de entrada das máquinas nas lavouras.

Na região administrativa de Bagé, a redução da umidade do solo permitiu retomar o preparo das áreas e as aplicações de herbicidas. Em Rosário do Sul, também foram realizadas operações para recuperar áreas atingidas pela erosão provocada pelas chuvas. Já em São Borja, o plantio avançou pouco após os volumes elevados de precipitação.

Na região de Ijuí, a semeadura chegou a 2% da área projetada. O excesso de umidade mantém o avanço limitado, enquanto os produtores intensificam o preparo das áreas e a distribuição de fertilizantes a lanço em pré-plantio. As primeiras lavouras implantadas em setembro apresentam desenvolvimento vegetativo mais lento. Em Santa Maria, o plantio alcançou 5% dos 1.036.859 hectares previstos para a cultura.

Na região de Santa Rosa, a semeadura prosseguiu em pequena escala, principalmente em áreas de solos mais leves ou sob integração lavoura-pecuária. As chuvas posteriores às primeiras operações prejudicaram a emergência, mas os estandes seguem satisfatórios.

Em Soledade, o plantio atingiu 4% da área prevista. Embora muitas áreas já estejam dessecadas e prontas para receber as sementes, o excesso de umidade continua restringindo o ritmo dos trabalhos. Com isso, a evolução da safra de soja no Rio Grande do Sul dependerá da abertura de novas janelas de plantabilidade e de condições adequadas para a entrada das máquinas nas lavouras.

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